Artículos

Publicado el 11 de septiembre de 2025

Refluxo gastroesofágico

Existe associação entre SIBO e DRGE refratária?

Estudo investigou a relação entre supercrescimento bacteriano e refluxo refratário em pacientes com uso prolongado de IBPs, destacando o papel do teste respiratório com lactulose no diagnóstico clínico.

A Doença do Refluxo Gastroesofágico Refratária (DRGER) afeta até 42% dos pacientes com DRGE, caracterizando-se pela persistência dos sintomas mesmo após 8 semanas de tratamento com inibidores da bomba de prótons (IBPs). Essa condição está associada a uso frequente de medicamentos, múltiplas intervenções clínicas e impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes.

O diagnóstico da DRGE pode ser feito por métodos não invasivos, como a identificação de sintomas típicos e questionários clínicos (Gerd Q, RSI), ou por técnicas invasivas, como gastroscopia, exame contrastado e pHmetria esofágica de 24h, sendo esta última considerada o padrão-ouro, mas limitada pela baixa adesão dos pacientes.

O teste respiratório com lactulose (TRL) avalia o supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO, sigla em inglês para Small Intestinal Bacterial Overgrowth), medindo os níveis de hidrogênio e metano na respiração de forma não invasiva. Embora a cultura por aspiração jejunal seja o padrão-ouro para o diagnóstico de SIBO, sua natureza invasiva e alto custo reduzem a adesão dos pacientes. No entanto, atualmente não existem dados nacionais ou internacionais disponíveis sobre a relação entre SIBO e DRGER.

Estudos mostraram alterações significativas na microbiota gastrointestinal de pacientes com DRGE em comparação a indivíduos saudáveis, sugerindo uma possível associação entre o uso prolongado de IBPs e o SIBO, devido à redução da acidez gástrica.

Para investigar essa associação, Xu e colaboradores (2025) realizaram questionários clínicos e TRL para identificar o crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado em pacientes com DRGER após uso prolongado de IBPs, a fim de fornecer uma nova perspectiva para o diagnóstico e tratamento clínico da DRGER por meio da detecção do SIBO.

Foram incluídos 178 pacientes com diagnóstico confirmado de refluxo gastroesofágico, atendidos entre 2020 e 2022, no Hospital Afiliado da Universidade Médica de Kunming. Foram divididos dois grupos: 82 pacientes com DRGER, definida como ausência ou remissão parcial dos sintomas após 8 semanas de tratamento com IBP duas vezes ao dia, e 96 com DRGE não refratária (NRGERD).

Todos os participantes realizaram o TRL, utilizando o aparelho Breath Tracker SC Quintron. Após jejum de 12 horas, os pacientes ingeriram 10 g de lactulose e forneceram amostras respiratórias a cada 20 minutos por 120 minutos. O diagnóstico de SIBO foi baseado no consenso norte-americano de 2017: níveis de hidrogênio ≥ 20 ppm em até 90 minutos ou metano ≥ 10 ppm.

 

Os pacientes com DRGER apresentaram maior prevalência de sintomas como refluxo ácido e azia, além de maior positividade para Helicobacter pylori e histórico de tabagismo, em comparação aos do grupo controle. A pontuação no questionário Gerd Q também foi significativamente mais alta no grupo com a condição refratária.

O TRL revelou que os níveis de metano aos 60 minutos foram significativamente maiores em pacientes com DRGER, enquanto os níveis de hidrogênio foram ligeiramente menores. A análise dos sintomas em pacientes com SIBO mostrou que, em DRGER, a presença de metano elevado esteve associada a maior incidência de náusea. Em NRGERD, a positividade para hidrogênio e SIBO esteve relacionada a menor ocorrência de tosse crônica e dor torácica não cardíaca.

O estudo reforçou que o SIBO, especialmente com predominância de metano, pode estar associado à refratariedade da DRGER, principalmente em pacientes com uso prolongado de IBPs. Múltiplos mecanismos fisiopatológicos foram discutidos, incluindo a redução da pressão do esfíncter esofágico inferior, aumento da sensibilidade visceral, distúrbios na motilidade gastrointestinal e ativação de vias inflamatórias que comprometem a função antirrefluxo.

Além disso, o estudo destacou que a microbiota intestinal alterada pode contribuir para sintomas persistentes e para a falha terapêutica em pacientes com DRGER. O TRL demonstrou potencial método diagnóstico não invasivo para identificar SIBO em pacientes com refluxo refratário. Embora intervenções como mucosectomia antirrefluxo (ARMS) possam aliviar sintomas, complicações como estenose esofágica e disfagia são possíveis.

Em resumo, o presente estudo revelou uma correlação significativa entre níveis elevados de metano e refluxo refratário. Além disso, observou-se que pacientes com essa condição podem desenvolver SIBO após uso prolongado de IBPs. Assim, a intervenção no SIBO pode representar uma abordagem inovadora para o tratamento da DRGER.