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Publicado el 26 de octubre de 2026

Vitiligo aumenta o risco de herpes-zóster?

Análise de dados do mundo real com quase 80 mil participantes identificou o vitiligo como fator de risco independente para herpes-zóster e reforçou a importância de estratégias de prevenção nessa população.

Autor/a: B.-S. Lin, et al.

Fuente: The Journal of Dermatology 53, no. 4 (2026): 596–604 Elevated Risk of Herpes Zoster in Vitiligo Patients: A Nationwide Population-Based Cohort Study of Taiwan

O vitiligo é uma doença autoimune crônica, caracterizada pela destruição dos melanócitos e pelo surgimento de manchas despigmentadas na pele, que afeta cerca de 0,5% a 1% da população. Embora geralmente não cause desconforto físico, a condição está associada a importante impacto psicológico, estigmatização social e até discriminação.

Nos últimos anos, o desenvolvimento de novas terapias, especialmente os inibidores da Janus quinase (JAKi), ampliou as perspectivas de tratamento da doença. Entretanto, esses medicamentos têm sido associados a uma maior ocorrência de herpes-zóster em outras condições dermatológicas e imunomediadas.

Apesar da relevância clínica do tema, ainda são escassos os dados sobre a ocorrência de herpes-zóster em pacientes com vitiligo. Diante dessa lacuna, Lin e colaboradores (2026) realizaram uma análise longitudinal utilizando dados do Banco Nacional de Dados de Pesquisa do Seguro de Saúde de Taiwan (NHIRD), entre 2010 e 2022, para investigar essa associação.

Foram incluídos 79.910 participantes, sendo 15.982 pacientes com diagnóstico de vitiligo e 63.928 controles, pareados por idade, sexo, data índice e índice de comorbidades. Os participantes foram acompanhados até o diagnóstico de herpes-zóster, óbito, saída do sistema de saúde ou término do estudo. A associação entre vitiligo e herpes-zóster foi avaliada por meio de modelos de regressão de Cox, com análises de subgrupos de acordo com os tratamentos sistêmicos utilizados para o manejo da doença.

Durante o seguimento, 2.982 indivíduos desenvolveram herpes-zóster, com incidência significativamente maior entre os pacientes com vitiligo em comparação aos controles (7,78% vs. 2,72%; p < 0,001). Na análise multivariada, o vitiligo mostrou-se um fator de risco independente para herpes-zóster, associado a um aumento de 53,2% na probabilidade de ocorrência da infecção (aHR 1,532; IC95% 1,419-1,655).

Além disso, o risco foi maior entre mulheres e aumentou progressivamente com a idade. A análise de Kaplan-Meier demonstrou que pacientes com vitiligo apresentaram uma incidência acumulada significativamente superior de herpes-zóster ao longo de todo o período de acompanhamento.

Nas análises de subgrupos, o maior risco foi observado entre pacientes que receberam tratamentos sistêmicos para a condição (aHR 2,117; IC95% 1,846-2,428), embora a associação também tenha permanecido significativa entre aqueles sem terapia sistêmica (aHR 1,419; IC95% 1,312-1,535). Entre os tratamentos avaliados, corticosteroides sistêmicos, metotrexato e ciclosporina estiveram associados a maior ocorrência de herpes-zóster, enquanto fototerapia e azatioprina não apresentaram associação estatisticamente relevante.

Em resumo, os resultados demonstraram que pacientes com vitiligo apresentam maior probabilidade de desenvolver herpes-zóster, independentemente do tratamento utilizado. Segundo os autores, profissionais de saúde devem estar atentos a esse risco aumentado e consideram que a vacinação contra herpes-zóster pode ser uma estratégia relevante para reduzir a incidência da doença e suas possíveis complicações nessa população.