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Publicado el 26 de diciembre de 2024

Relato de caso

Tinea capitis causada por trichophyton soudanense e microsporum audouinii

Uma rara infecção dupla por dermatófitos

Imagem principal: Achados do cultivo fúngico dos pelos e escamas coletados. Imagem adaptada de Krefting et al. 2024. 


tinea capitis está entre as infecções dermatofíticas mais comuns em crianças na Alemanha, com Microsporum canis, Trichophyton mentagrophytes e Trichophyton benhamiae figurando entre os principais patógenos. Com a globalização, além desses agentes, casos de dermatofitoses causadas por T. soudanense e M. audouinii, típicos da África Ocidental, também foram relatados na Alemanha. Até onde se sabe, a ocorrência de infecções mistas por tinea capitis foi registrada em pacientes em Uganda, mas não havia sido documentada na Alemanha até o momento.

Neste relato, apresentou-se o caso de uma paciente angolana de 10 anos, trazida para a Alemanha em 2022 pela organização humanitária Friedensdorf International para o tratamento de osteomielite crônica. O exame físico realizado no Departamento de Cirurgia de Trauma do Hospital Universitário de Essen revelou áreas de alopecia com escamas espessas e amareladas aderidas ao couro cabeludo. Com a suspeita de tinea capitis, amostras de escamas e cabelos foram coletadas para cultivo fúngico e diagnóstico por reação em cadeia da polimerase (PCR). A partir disto, iniciou-se o tratamento tópico com solução de ciclopirox duas vezes ao dia e creme de clotrimazol uma vez ao dia.

O Instituto de Microbiologia Médica do Hospital Universitário de Essen realizou um exame de PCR fúngico universal nas escamas, seguido do sequenciamento da região ITS-1. Ao comparar os resultados com o banco de dados GenBank do Centro Nacional de Informação Biotecnológica (NCBI), a sequência genética foi identificada como T. soudanese. Devido à gravidade da infecção, iniciou-se imediatamente o tratamento antifúngico oral com terbinafina 125 mg uma vez ao dia após receber os resultados do sequenciamento ITS-1. Amostras adicionais de cabelos e escamas foram enviadas ao Laboratório de Microbiologia Médica em Mölbis, Alemanha, para PCR específica, que não estava disponível em Essen. Surpreendentemente, a PCR específica detectou componentes genéticos de ambos os T. soudanense e M. audouinii. Esses achados foram confirmados pelos resultados do cultivo fúngico.

Após quatro semanas de tratamento sistêmico com terbinafina, a paciente apresentou melhora acentuada, sem efeitos colaterais significativos, e os exames laboratoriais mostraram resultados normais. Amostras de escamas e cabelos foram novamente coletadas para avaliação fúngica de acompanhamento, e tanto o tratamento tópico quanto o sistêmico foram mantidos.

Antes de retornar a Angola, a paciente realizou sua última consulta na clínica, com melhora ainda mais evidente. A resposta ao tratamento foi excelente, e tanto a cultura fúngica quanto a PCR das escamas e cabelos coletados na primeira consulta de controle, quatro semanas antes, resultaram negativas, permitindo a suspensão do tratamento sistêmico com terbinafina. Por fim, recomendaram a continuidade do tratamento tópico por mais duas semanas.

Este relato documentou um dos primeiros casos de tinea capitis por infecção dupla por dermatófitos na Europa. No caso desta paciente, a terbinafina sistêmica, em combinação com solução tópica de ciclopirox e creme de clotrimazol, mostrou-se uma terapia muito eficaz e bem tolerada para a infecção dupla por M. audouinii e T. soudanense.