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/ Publicado el 26 de diciembre de 2024

O ativo mais administrado no mundo

Efeitos da cafeína no fluxo sanguíneo cerebral

Uma amostra foi avaliada antes e após a ingestão de cafeína em jovens saudáveis

Autor/a: Gaspar, C. et al. (2023)

Fuente: Elsevier Effects of caffeine on cerebral blood flow

Introdução

A cafeína, um agente simpaticomimético e antagonista da adenosina, é amplamente consumida em produtos como café, chá, refrigerantes, chocolates e bebidas energéticas, sendo a substância farmacologicamente ativa mais utilizada globalmente. O consumo regular, equivalente a 2 a 4 xícaras de café por dia, pode eliminar o efeito protetor do pré-condicionamento isquêmico e reduzir o fluxo sanguíneo cerebral global em cerca de 22% a 30%. Apesar de sua conhecida influência na redução do fluxo sanguíneo cerebral, os efeitos da cafeína sobre a velocidade desse fluxo permanecem pouco explorados.

Estudos demonstram que a cafeína interfere na reatividade cerebrovascular, afetando a velocidade do fluxo das artérias cerebrais em condições como hiperventilação, hipoventilação e atividades cognitivas. Essas ações estão relacionadas à sua capacidade de bloquear receptores de adenosina e inibir a fosfodiesterase, resultando no aumento de neurotransmissores, o que impacta o humor, a concentração e a pressão arterial. Nesse contexto, Gaspar e colaboradores (2023) investigaram a influência da cafeína na velocidade média de fluxo da artéria cerebral média (VMCA) em jovens saudáveis, fornecendo novos insights sobre os efeitos dessa substância em parâmetros cerebrovasculares.

Métodos

O estudo contou com uma amostra de 45 estudantes universitários clinicamente saudáveis, com idades entre 18 e 22 anos, divididos em três grupos experimentais: (1) sem cafeína, (2) 45 mg de cafeína, e (3) 120 mg de cafeína. Para avaliar as velocidades do fluxo sanguíneo nas artérias cerebrais médias, foi empregada a ultrassonografia Doppler transcraniana.

O método permitiu medições simultâneas da velocidade bilateral das artérias cerebrais médias enquanto os participantes realizavam testes funcionais, incluindo hiperventilação e hipoventilação, além de três atividades cognitivas: (1) teste de memória de curto prazo, (2) resolução de um problema de vocabulário, e (3) resolução de um problema matemático. Cada atividade teve duração de 31 segundos, intercalada por intervalos de 1 minuto de descanso. As medições foram realizadas em dois momentos: antes e 30 minutos após a ingestão de cafeína.

Resultados

Após os testes, foi observada uma diminuição significativa na velocidade média, velocidade sistólica de pico, velocidade diastólica final e frequência cardíaca após a ingestão de altas doses de cafeína, com exceção da hiperventilação, onde a redução foi limitada à velocidade sistólica de pico. Para doses menores, reduções significativas foram detectadas durante a hipoventilação e no teste 1. Na hiperventilação, a diminuição foi significativa apenas para a velocidade diastólica final e a frequência cardíaca. No teste 2, as reduções foram observadas na velocidade média e na velocidade sistólica de pico, enquanto no teste 3, o único parâmetro afetado significativamente foi a frequência cardíaca.

Conclusão

A investigação conduzida por Gaspar e colaboradores (2023) revelou que a cafeína exerce efeitos agudos sobre o sistema cardiovascular, reduzindo significativamente a velocidade do fluxo nas artérias cerebrais médias. Além disso, foi concluído que este efeito agudo está associado à vasodilatação das artérias cerebrais, que se torna mais acentuada com doses elevadas de cafeína.