| Introdução |
O esporte frequentemente expõe os atletas à dor, seja por fadiga, lesões ou impacto traumático. Essa capacidade de suportar dor é um diferencial crucial no sucesso esportivo, especialmente em modalidades de contato e resistência, onde a exposição tende a ser maior. Estudos desde os anos 1960 investigaram como esses profissionais lidam com a dor, abrangendo limiar, tolerância, intensidade e desconforto. Evidências indicaram que atletas, comparados a não atletas, possuem maior tolerância à dor, com efeitos significativos. Entretanto, as descobertas sobre o limiar de dor são mais heterogêneas e menos conclusivas.
Pesquisas recentes sugeriram que atletas apresentam inibição endógena mais eficaz e diferenças no processamento neural, como demonstrado por estudos de ressonância magnética funcional e eletroencefalograma. Contudo, os mecanismos subjacentes ainda não são totalmente compreendidos, e estudos longitudinais são necessários. Desta forma, Thornton e colaboradores (2024) realizaram uma revisão abrangente para entender as diferenças entre atletas e não atletas quanto à percepção e resposta à dor, bem como entre diferentes tipos de esportistas.
| Métodos |
Para este estudo, foi realizada uma pesquisa abrangente em bancos de dados renomados, incluindo SPORTDiscus, PubMED, PsycArticles, Cochrane Library, Web of Science, Scopus e CINAHL. Foram incluídos aqueles que compararam respostas de dor induzidas experimentalmente (limiar, tolerância, intensidade, desconforto, incômodo e impacto no desempenho) entre atletas e controles. As metanálises foram realizadas, quando apropriado, utilizando modelos de efeitos aleatórios para descrever diferenças médias padronizadas.
| Resultados |
Foram incluídos 36 estudos, totalizando 2.492 participantes, que atenderam aos critérios de inclusão. Desses, 19 abordaram a tolerância à dor, 17 o limiar de dor, 21 a intensidade da dor, 5 o desconforto, 2 o desempenho e 1 o incômodo. Os resultados mostraram que os atletas apresentaram maior tolerância à dor (g = 0,88; IC 95%: 0,65–1,13) e relataram menor intensidade (g = −0,80; IC 95%: −1,13–−0,47) em comparação aos controles. O limiar de dor também foi superior nesse grupo, embora com um efeito menor (g = 0,41; IC 95%: 0,08–0,75).
As diferenças relacionadas à desagradabilidade não atingiram significância estatística, apesar de apresentarem efeitos expressivos (g = −1,23; IC 95%: −2,29–0,18). Além disso, dois estudos indicaram que atletas de contato apresentaram melhor desempenho sob dor, enquanto um estudo sugeriu que esses a percebem como menos incômoda.
| Conclusão |
O estudo sugeriu que atletas apresentam respostas alteradas à dor, apesar de algumas inconsistências metodológicas não significativas. No entanto, os mecanismos subjacentes a essas ainda não estão completamente esclarecidos, evidenciando a necessidade de maior rigor metodológico em pesquisas futuras e a realização de estudos adicionais para aprofundar a compreensão desse fenômeno.