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Publicado el 25 de diciembre de 2024

Revisão sistemática e metanálise

Desempenho de atletas sob a dor experimental

Evidências apontaram que atletas respondem e relatam índices de dor experimental de forma diferente

Autor/a: Thornton, C. et al. (2024)

Fuente: The Journal of Pain Athletes and Experimental Pain: A Systematic Review and Meta-Analysis

Introdução

O esporte frequentemente expõe os atletas à dor, seja por fadiga, lesões ou impacto traumático. Essa capacidade de suportar dor é um diferencial crucial no sucesso esportivo, especialmente em modalidades de contato e resistência, onde a exposição tende a ser maior. Estudos desde os anos 1960 investigaram como esses profissionais lidam com a dor, abrangendo limiar, tolerância, intensidade e desconforto. Evidências indicaram que atletas, comparados a não atletas, possuem maior tolerância à dor, com efeitos significativos. Entretanto, as descobertas sobre o limiar de dor são mais heterogêneas e menos conclusivas.

Pesquisas recentes sugeriram que atletas apresentam inibição endógena mais eficaz e diferenças no processamento neural, como demonstrado por estudos de ressonância magnética funcional e eletroencefalograma. Contudo, os mecanismos subjacentes ainda não são totalmente compreendidos, e estudos longitudinais são necessários. Desta forma, Thornton e colaboradores (2024) realizaram uma revisão abrangente para entender as diferenças entre atletas e não atletas quanto à percepção e resposta à dor, bem como entre diferentes tipos de esportistas.

Métodos

Para este estudo, foi realizada uma pesquisa abrangente em bancos de dados renomados, incluindo SPORTDiscus, PubMED, PsycArticles, Cochrane Library, Web of Science, Scopus e CINAHL. Foram incluídos aqueles que compararam respostas de dor induzidas experimentalmente (limiar, tolerância, intensidade, desconforto, incômodo e impacto no desempenho) entre atletas e controles. As metanálises foram realizadas, quando apropriado, utilizando modelos de efeitos aleatórios para descrever diferenças médias padronizadas.

Resultados

Foram incluídos 36 estudos, totalizando 2.492 participantes, que atenderam aos critérios de inclusão. Desses, 19 abordaram a tolerância à dor, 17 o limiar de dor, 21 a intensidade da dor, 5 o desconforto, 2 o desempenho e 1 o incômodo. Os resultados mostraram que os atletas apresentaram maior tolerância à dor (g = 0,88; IC 95%: 0,65–1,13) e relataram menor intensidade (g = −0,80; IC 95%: −1,13–−0,47) em comparação aos controles. O limiar de dor também foi superior nesse grupo, embora com um efeito menor (g = 0,41; IC 95%: 0,08–0,75).

As diferenças relacionadas à desagradabilidade não atingiram significância estatística, apesar de apresentarem efeitos expressivos (g = −1,23; IC 95%: −2,29–0,18). Além disso, dois estudos indicaram que atletas de contato apresentaram melhor desempenho sob dor, enquanto um estudo sugeriu que esses a percebem como menos incômoda.

Conclusão

O estudo sugeriu que atletas apresentam respostas alteradas à dor, apesar de algumas inconsistências metodológicas não significativas. No entanto, os mecanismos subjacentes a essas ainda não estão completamente esclarecidos, evidenciando a necessidade de maior rigor metodológico em pesquisas futuras e a realização de estudos adicionais para aprofundar a compreensão desse fenômeno.