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Publicado el 16 de julio de 2026

Hipertensão arterial sistêmica

Tendências globais da hipertensão (2000-2020)

Entre 2000 e 2020, a prevalência global de hipertensão subiu de 29,2% para 33,0%, atingindo cerca de 1,71 bilhão de adultos, com um aumento expressivo de 5,8% especificamente nos países de baixa e média renda.

Autor/a: Samantha S. O’Connell, Paul K. Whelton, Fengxue Li, Farah Allouch, et al.

Fuente: JACC Journals, V. 87, N. 18, P.2338- 2351, 2026 Global Hypertension 2000 to 2020: Trends, Disparities, and Progress in Awareness, Treatment, and Control

A hipertensão arterial sistêmica permanece como o principal fator de risco modificável para a mortalidade precoce em todo o mundo, o que torna a obtenção de dados precisos sobre sua prevalência e controle uma etapa fundamental para a formulação de prioridades em saúde pública global. Por isso, O’Connell e colaboradores (2026) forneceram uma visão abrangente das tendências seculares da hipertensão, destacando as iniquidades persistentes que demandam intervenções urgentes e baseadas em evidências para mitigar o impacto das doenças não transmissíveis globalmente.

A metodologia deste estudo fundamentou-se em uma revisão sistemática e análise combinada de dados provenientes de 287 estudos transversais de base populacional, abrangendo um total de 6.060.567 adultos em 119 países. A estratégia de busca envolveu o levantamento de dados na base MEDLINE entre janeiro de 1995 e novembro de 2024, complementada por buscas manuais em referências de artigos relevantes. Para garantir a validade interna e a comparabilidade dos resultados, os critérios de inclusão exigiram que os estudos utilizassem métodos padronizados de medição da pressão arterial e reportassem a prevalência da doença de forma estratificada por sexo e idade.

Clinicamente, a hipertensão foi definida como uma pressão arterial sistólica (PAS) média ≥140 mm Hg, uma pressão arterial diastólica (PAD) média ≥90 mm Hg, ou o uso documentado de terapia anti-hipertensiva. O estudo estruturou a análise da cascata de cuidado por meio de três indicadores essenciais: o conhecimento (awareness), caracterizado pelo diagnóstico prévio autorreferido da condição entre os hipertensos; o tratamento, identificado pelo uso autorreferido de medicamentos anti-hipertensivos; e o controle, definido pela manutenção de níveis pressóricos inferiores a 140/90 mm Hg na população hipertensa total analisada.

Para a análise comparativa global, os dados foram agrupados seguindo a classificação de renda do Banco Mundial, o que permitiu distinguir os resultados entre países de alta renda e países de baixa e média renda (LMICs), subdivididos em regiões como América Latina e Caribe, Ásia Oriental e Pacífico, e África Subsaariana. As prevalências específicas por país foram aplicadas a contagens populacionais para gerar estimativas regionais e globais, utilizando ferramentas estatísticas avançadas nos softwares SAS (versão 9.4) e R (incluindo os pacotes "miceranger" e "splines") para o processamento de dados e tratamento de variáveis ausentes.

Os resultados revelaram uma mudança significativa e preocupante na epidemiologia da hipertensão ao longo das duas últimas décadas. Em 2020, estima-se que 33,0% da população adulta mundial (aproximadamente 1,71 bilhão de pessoas) era hipertensa, um aumento em relação aos 29,2% registrados no ano 2000. Um dado alarmante para a saúde pública é a crescente disparidade econômica: enquanto a prevalência padronizada por idade diminuiu 2,7% nos países de alta renda (HICs), ela aumentou 5,8% nos LMICs no mesmo período. Esse desequilíbrio reflete-se na carga absoluta da doença, com os LMICs apresentando um acréscimo de 651 milhões de casos, comparado a um aumento de apenas 76 milhões nos HICs.

No que diz respeito à cascata de cuidado, os índices de conhecimento, tratamento e controle apresentaram melhorias globais, porém com ritmos e níveis de sucesso muito distintos entre as regiões. Entre 2000 e 2020, a taxa de consciência do diagnóstico subiu de 57,7% para 69,2% nos países de alta renda, enquanto nos LMICs esse avanço foi mais modesto, partindo de 29,1% para 46,1%. A disparidade é ainda mais acentuada no controle clínico eficaz (definido como PA <140/90 mm Hg em todos os hipertensos): nos HICs, o índice de controle saltou de 16,4% para 40,2%, ao passo que nos LMICs o progresso foi limitado, atingindo apenas 13,6% em 2020.

O’Connell e colaboradores (2026) destacaram que, como resultado dessas tendências divergentes, 83% de todos os indivíduos com hipertensão não controlada no mundo vivem hoje em países de baixa e média renda, um aumento significativo em relação aos 70% observados no início do século. Regionalmente, as maiores cargas absolutas e os crescimentos mais rápidos foram identificados no Leste Asiático, Pacífico e Sul da Ásia, pressionando sistemas de saúde com recursos já limitados. Além disso, observou-se uma variação demográfica importante: em 2020, a prevalência de hipertensão entre as mulheres em todas as regiões de países em desenvolvimento superou a das mulheres em países ricos. De maneira geral, os homens apresentaram níveis consistentemente inferiores de conhecimento, tratamento e controle da pressão arterial em comparação às mulheres, evidenciando a necessidade de estratégias de intervenção que considerem também as barreiras de gênero no acesso ao cuidado.

Em suma, O’Connell e colaboradores (2026) demonstraram que a carga global da hipertensão está em ascensão, acompanhada por uma disparidade crescente e preocupante entre os HICs e LMICs. Enquanto as nações desenvolvidas apresentam progressos mais robustos em seus indicadores, os LMICs concentram agora a grande maioria dos casos não controlados mundialmente, evidenciando que seus sistemas de saúde ainda não estão adequadamente equipados para gerenciar essa demanda crescente. Diante desse cenário, os autores reforçaram a necessidade imperativa e urgente de implementar intervenções baseadas em evidências, políticas públicas eficazes e soluções inovadoras que priorizem a cascata de cuidado, com foco especial em mitigar as iniquidades regionais e as barreiras de acesso ao tratamento para reduzir o impacto da mortalidade precoce globalmente.