Noticias médicas

Publicado el 20 de octubre de 2026

SUS passa a ofertar novos medicamentos oncológicos e amplia acesso ao tratamento do câncer

Incorporação de nove medicamentos para 13 indicações oncológicas, início do rastreamento do câncer colorretal e ampliação de investimentos em diagnóstico e tratamento marcam nova etapa da assistência oncológica no SUS.

O Ministério da Saúde começou a disponibilizar nove novos medicamentos oncológicos de alta tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida, considerada a maior incorporação tecnológica realizada para o cuidado do câncer na rede pública, contempla 13 diferentes indicações terapêuticas e deve beneficiar mais de 116 mil pacientes em todo o país.

Nesta primeira etapa, os tratamentos serão disponibilizados em 20 centros de referência distribuídos por todas as regiões do Brasil, com expansão gradual para os demais serviços habilitados até o final do ano. O investimento anual apenas na aquisição desses nove medicamentos é estimado em R$ 155,4 milhões.

Os serviços participantes desta fase estão localizados em 17 unidades da federação (SP, PR, BA, CE, PE, PI, PA, AM, RJ, PB, DF, MG, GO, RO, RS, TO e SE), contemplando todas as regiões do país. Segundo o Ministério da Saúde, os pacientes serão acompanhados por equipes capacitadas e familiarizadas com um sistema mais digital e integrado, que conta com fluxos modernizados para solicitação, registro e controle dos tratamentos.

A expectativa é que o SUS passe a contar com 23 novos fármacos oncológicos até o fim de 2026, ampliando em aproximadamente 35% as opções terapêuticas disponíveis. O impacto financeiro total da estratégia está estimado em R$ 4 bilhões anuais.

> Novos medicamentos incorporados

Entre os medicamentos incorporados estão:
  • Trastuzumabe: câncer de estômago ou junção esofagogástrica;
  • Abemaciclibe: câncer de mama RH+ e HER2-, em estágios precoce e avançado/metastático;
  • Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos;
  • Pazopanibe: carcinoma renal de células claras metastático;
  • Rituximabe: leucemia linfocítica crônica e determinados linfomas;
  • Abiraterona: diferentes cenários clínicos do câncer de próstata;
  • Gefitinibe: câncer de pulmão de não pequenas células;
  • TSH recombinante (alfatirotropina): câncer diferenciado de tireoide;
  • Sunitinibe: carcinoma renal metastático e GIST avançado ou metastático após falha ao imatinibe.
> Novos procedimentos e fortalecimento do diagnóstico
 
Além das novas terapias, o Ministério da Saúde anunciou medidas voltadas ao diagnóstico precoce. Uma delas é a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para rastreamento do câncer colorretal em homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos.
 
O exame será utilizado como método de triagem para identificar quais indivíduos necessitam de colonoscopia para confirmação diagnóstica. De acordo com o ministério, o teste apresenta acurácia de até 92% e oferece vantagens como simplicidade de realização, rapidez na obtenção dos resultados e melhor direcionamento da colonoscopia para pacientes com maior probabilidade de apresentar lesões precursoras ou câncer colorretal.
 
Também está em implementação o rastreamento do câncer do colo do útero por meio do teste DNA-HPV. Como complemento, o ministério financiará a realização de citologia reflexa em meio líquido, utilizando a mesma coleta para investigação adicional dos casos com sinais de alerta. O investimento anual previsto é de R$ 2,7 milhões para mais de 131 mil testes.
 
Outra novidade é o custeio, pelo SUS, das cirurgias videotorácicas oncológicas, utilizadas principalmente no tratamento do câncer de pulmão. Por serem minimamente invasivas, essas intervenções podem reduzir o tempo de internação e as complicações pós-operatórias. O investimento estimado para essa medida é de R$ 46 milhões por ano.
 
Paralelamente, o Ministério da Saúde anunciou a ampliação dos investimentos em diagnóstico oncológico, incluindo reajustes para procedimentos de anatomia patológica, iodoterapia e terapias antineoplásicas, além da incorporação de exames mais complexos, como testes de biologia molecular e sequenciamento genético.
 

O recurso anual destinado à iodoterapia para o tratamento do câncer de tireoide será ampliado em 246%, passando de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões por ano. Além disso, os valores destinados à administração de medicamentos oncológicos também serão reajustados, com aumento dos repasses para terapias intravenosas e orais.

O Ministério da Saúde também destacou a expansão dos Centros Regionais de Patologia Digital e Telepatologia (CERPAT) e a atuação do Super Centro Brasil para o Diagnóstico de Câncer, iniciativa criada para acelerar a análise de biópsias e reduzir o tempo para emissão de laudos diagnósticos.

> Atenção ao câncer infantojuvenil

A pasta anunciou ainda a criação de um grupo de trabalho para desenvolver a primeira linha nacional de cuidado voltada ao retinoblastoma no SUS. A proposta busca organizar o diagnóstico, o encaminhamento e o tratamento de crianças e adolescentes com a doença, reforçando a importância da identificação precoce, especialmente em menores de cinco anos.

O principal sinal de alerta para o retinoblastoma é a presença de reflexo branco na pupila, podendo estar associado ou não ao estrabismo. Quando diagnosticada precocemente e tratada em serviços especializados, a doença apresenta taxas de sobrevida superiores a 90%.

> Pronon terá incentivo prorrogado

O Ministério da Saúde também anunciou a prorrogação, até 2031, do incentivo fiscal do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon). A iniciativa apoia projetos de prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e pesquisa em câncer desenvolvidos por instituições privadas sem fins lucrativos.