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/ Publicado el 25 de enero de 2026

Tratamento da obesidade

Reganho de peso após suspensão de análogos de GLP-1

Glicemia, pressão arterial e marcadores lipídicos retornam aos níveis pré-tratamento em aproximadamente 1,4 ano após a cessação do medicamento

Autor/a: West S, Scragg J, Aveyard P, Oke J L, Willis L, Haffner S J P et al.

Fuente: s BMJ 2026; 392 :e085304 doi:10.1136/bmj-2025-085304 Weight regain after cessation of medication for weight management: systematic review and meta-analysis

Introdução

A obesidade é atualmente reconhecida como uma condição crônica e recidivante que atinge aproximadamente dois bilhões de adultos, elevando de forma preocupante os riscos de morbidade e mortalidade prematura. Historicamente, o pilar do tratamento tem sido os programas de manejo comportamental do peso (PMCPs), que focam no suporte para a adoção de dietas hipocalóricas e no aumento da atividade física. Entretanto, o cenário terapêutico está sendo transformado pelo surgimento de novos medicamentos, como a semaglutida (agonista do receptor de GLP-1) e a tirzepatida (agonista dual dos receptores de GLP-1 e GIP).

Estes novos fármacos proporcionam melhorias em marcadores cardiometabólicos que são, em geral, proporcionais à magnitude do peso perdido. Evidências demonstram benefícios significativos a curto prazo em condições como fibrose hepática, apneia do sono, desfechos renais e uma redução importante na incidência de doenças cardiovasculares. Contudo, a sustentabilidade desses resultados é um ponto crítico.

Embora revisões sistemáticas anteriores sobre intervenções comportamentais tenham mostrado que o reganho de peso após a interrupção dos PMCPs é lento e que os benefícios cardiometabólicos podem persistir por pelo menos cinco anos, os dados sobre o que ocorre após a cessação desses novos fármacos ainda precisam caracterizados. Diante disso, West e colaboradores (2025) quantificaram a taxa de reganho de peso e as alterações associadas na saúde cardiometabólica após a interrupção do tratamento medicamentoso, comparando esses dados com o comportamento observado após o término de programas exclusivamente comportamentais

Métodos

Para isso, os autores realizaram uma revisão sistemática com meta-análise com uma busca nas bases de dados eletrônicas, incluindo Medline, Embase, PsycINFO, CINAHL, Cochrane, Web of Science e registros de ensaios clínicos, abrangendo desde o início de cada base até fevereiro de 2025. Foram incluídos adultos (≥18 anos) com sobrepeso ou obesidade no início da intervenção.

Ensaios clínicos randomizados (ECRs), ensaios não randomizados e estudos de coorte observacionais (prospectivos e retrospectivos) foram selecionados. Os critérios de inclusão foram pacientes em intervenção com qualquer medicamento licenciado para perda de peso, como semaglutida, tirzepatida, liraglutida e orlistate com duração de pelo menos oito semanas e acompanhamento de, no mínimo, quatro semanas após a cessação do tratamento. Para o controle foram aceitos placebo, nenhuma intervenção ou intervenções de perda de peso não farmacológicas (comportamentais).

O desfecho primário foi a taxa de reganho de peso a partir do fim do tratamento, enquanto os secundários incluíram alterações em marcadores cardiometabólicos (HbA1c, glicemia de jejum, pressão arterial sistólica e diastólica, colesterol total e triglicerídeos).

Resultados

No total, incluiu-se 37 estudos com 9.341 participantes. Os resultados revelaram que a interrupção dos medicamentos para manejo do peso foi seguida por um reganho de peso rápido e consistente. Em média, os pacientes recuperaram cerca de 0,4 kg por mês após cessarem o tratamento. Projeções estatísticas indicaram que o peso corporal tende a retornar aos níveis basais em aproximadamente 1,7 anos após a sua interrupção de qualquer.

No entanto, a velocidade do reganho de peso variou conforme a potência da intervenção inicial. Para os novos mimetizadores de incretinas (como semaglutida e tirzepatida), embora a perda de peso inicial tenha sido maior (média de 14,7 kg), a taxa de reganho também se mostrou superior, atingindo 0,8 kg por mês. Consequentemente, o tempo estimado para o retorno ao peso inicial nesses pacientes é ainda mais curto: cerca de 1,5 anos.

Um dos achados mais críticos para a prática clínica foi a transitoriedade dos benefícios metabólicos. Embora o tratamento com esses fármacos tenha demonstrado melhorias significativas em diversos biomarcadores, esses ganhos foram rapidamente atenuados após a suspensão:

Marcadores glicêmicos e lipídicos: Níveis de HbA1c, glicemia de jejum, colesterol total e triglicerídeos tenderam a retornar aos valores pré-tratamento em um período de até 1,4 anos.

Pressão arterial: A redução da pressão arterial sistólica (média de 5,8 mm Hg) e diastólica (3,7 mm Hg) observada durante a fase ativa do tratamento também foi revertida após a interrupção.

Projeção de saúde: A extrapolação dos dados sugeriu que todos os marcadores cardiometabólicos retornariam ao patamar basal dentro de, no máximo, 1,4 anos após a cessação do medicamento.

A análise comparativa direta entre medicamentos e PMCPs revelou uma diferença marcante na sustentabilidade dos resultados. O reganho de peso após o uso de medicamentos foi significativamente mais rápido (uma diferença de 0,3 kg a mais por mês) do que o observado após intervenções baseadas em dieta e exercícios. Enquanto o peso após a cessação do tratamento retornaria ao basal em 1,7 anos, no caso dos programas comportamentais esse retorno levaria, em média, 3,9 anos.

Por fim, os autores demonstraram que a intensidade do suporte comportamental oferecido durante ou após o uso do medicamento não alterou significativamente a taxa de reganho.

Conclusão

West e colaboradores (2025) demonstraram que a interrupção dos medicamentos para manejo do peso foi seguida por um reganho rápido e pela reversão dos efeitos benéficos sobre os marcadores cardiometabólicos. Os dados indicam que a obesidade deve ser tratada como uma condição crônica e recidivante, onde os benefícios alcançados com o tratamento medicamentoso, embora significativos inicialmente, não se sustentam sem a continuidade da terapia.