A perda auditiva é um fator de risco conhecido para declínio cognitivo e demência. O seu tratamento varia de acordo com o tipo e a gravidade da condição. Atualmente, muitas tecnologias estão à disposição para a reabilitação da audição, como os aparelhos auditivos (AAs). No entanto, poucos estudos abordaram como o tratamento com esses dispositivos pode impactar na saúde cerebral. Por isso, Cribb e colaboradores (2026) realizaram um estudo para investigar se o uso de AAs teria efeito na cognição e na demência em idosos com perda auditiva.
Para isso, os pesquisadores realizaram uma emulação do ensaio clínico utilizando dados do estudo ASPirin in Reducing Events in the Elderly. Neste, os participantes australianos não tinham demência, apresentavam perda auditiva moderada e não haviam utilizado AAs anteriormente. As estratégias de tratamento foram “usar AAs” e “não usar AAs”. Os desfechos incluíram cognição global, demência (critérios DSM-IV) e comprometimento cognitivo.
O estudo utilizou dados de nova prescrição de AA e frequência de uso medidos por questionário, além de testes cognitivos realizados semestralmente. Esses avaliavam habilidades como memória, linguagem e velocidade de processamento mental.
Foram incluídos 2.777 indivíduos elegíveis para o estudo, e destes, 664 receberam uma nova prescrição de AA. A idade média foi de 75 anos, e 48% eram mulheres. Durante o período de acompanhamento, 117 participantes tiveram o diagnóstico de Doença de Alzheimer.
O uso dos dispositivos não foi associado a melhorias nas pontuações nos testes de memória e cognição. No entanto, após ajustar os fatores de risco como idade e condições médicas concomitantes, os pesquisadores descobriram que os participantes que receberam AAs tinham um risco de 5% de desenvolver demência, em comparação com 8% entre seus pares com perda auditiva que não receberam. Isso equivale a um risco 33% menor de demência entre os usuários de aparelhos auditivos. À medida que os participantes usavam seus aparelhos auditivos com mais frequência, o risco de demência diminuía proporcionalmente.
Além disso, os pesquisadores constataram que aqueles que receberam prescrição de AAs tinham um risco de 36% de desenvolver qualquer tipo de comprometimento cognitivo, que inclui declínio cognitivo e demência, em comparação com 42% entre aqueles que não receberam prescrição. Isso equivale a um risco 15% menor de comprometimento cognitivo com o uso de aparelhos auditivos.
Sendo assim, embora os pesquisadores não tenham encontrado diferença nas pontuações cognitivas, Cribb e colaboradores (2026) demonstraram que, em idosos com perda auditiva, usar AAs pode reduzir o risco de demência e comprometimento cognitivo.