A confirmação de um caso de sarampo em uma bebê de 6 meses em São Paulo voltou a destacar a vulnerabilidade causada pela queda das coberturas vacinais no país. A criança, ainda sem idade para receber a primeira dose da tríplice viral, havia viajado recentemente à Bolívia, país que enfrenta surto da doença desde 2025.
Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a proteção coletiva fornecida pela alta cobertura é essencial para impedir a circulação do vírus e proteger bebês menores de 1 ano, gestantes e pessoas imunocomprometidas, grupos que não podem ser vacinados. O meticuloso controle da transmissão é especialmente importante diante da alta infectividade do sarampo, cuja vacina possui efeito esterilizante, reduzindo infecções e transmissão.
Em 2025, 92,5% das crianças brasileiras receberam a primeira dose da tríplice viral, porém apenas 77,9% completaram o esquema no tempo adequado, deixando brechas para surtos. Apesar de o país manter o certificado de área livre de circulação sustentada, concedido pela OPAS em 2024, especialistas alertaram que a perda desse status já ocorreu em 2019 após importações de casos.
O cenário continental também preocupa, somente entre janeiro e início de março de 2026, as Américas registraram 7.145 casos de sarampo, quase metade do total de 2025. México, Estados Unidos e Guatemala concentram a maior parte das infecções. A maioria dos casos ocorre em não vacinados, sobretudo crianças menores de 1 ano.
Clinicamente, além do exantema e febre alta, o sarampo frequentemente provoca tosse, coriza, conjuntivite e sinais gerais. Complicações incluem pneumonia, encefalite e, em menores proporções, óbito, aproximadamente 1 para cada 1.000 casos, número maior nos surtos recentes. A infecção também causa imunossupressão transitória de 3 a 6 meses, aumentando a suscetibilidade a outras infecções.
Esquema vacinal recomendado
- 12 meses: primeira dose da tríplice viral (SCR).
- 15 meses: dose da tetra viral (SCR + varicela).
- 5 a 29 anos: duas doses, com intervalo mínimo de 1 mês.
- 30 a 59 anos: uma dose.
- Contraindicada: gestantes e imunocomprometidos.
Autoridades sanitárias reforçaram que manter a cobertura acima de 95% é a principal estratégia para impedir a reintrodução do vírus e evitar novos surtos.
Fonte: Caso confirmado de sarampo acende alerta sobre cobertura vacinal | Agência Brasil