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Publicado el 12 de julio de 2026

Melanoma pediátrico

Melanoma pediátrico no Brasil: dados de mortalidade entre 2008 e 2022

Análise nacional demonstrou predominância de óbitos nas regiões Sul e Sudeste, especialmente entre indivíduos de pele branca.

Autor/a: Coelho K., et al.

Fuente: Anais Brasileiros de Dermatologia, V. 100, N. 6, 2025 Melanoma pediátrico no Brasil: análise da mortalidade

O melanoma pediátrico é uma condição rara, com incidência estimada em dois a cinco novos casos por milhão de pessoas anualmente. No entanto, dados recentes nos Estados Unidos demonstraram uma tendência decrescente em novos casos desde 2006, principalmente em adolescentes. Dada sua ocorrência incomum, a literatura para a condição permanece limitada. Por isso, Coelho et al., (2025) realizaram um estudo com o objetivo de descrever a mortalidade associada ao melanoma na população pediátrica.

Para isso, os pesquisadores realizaram uma análise retrospectiva, descritiva e exploratória, utilizando dados de 2008 a 2022 de registros nacionais não identificáveis do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), fornecidos pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS).  As informações demográficas e os índices populacionais foram obtidos por meio de informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), integrando dados censitários e estimativas populacionais oficiais. A taxa média de mortalidade foi calculada para a população pediátrica total (0 a 19 anos) e para as faixas etárias de 0 a 9 anos e 10 a 19 anos. Para calcular a taxa de mortalidade anual, o número de óbitos foi dividido pela população total e o resultado foi multiplicado por 100.000. Para obter a taxa média de mortalidade, as taxas de mortalidade anuais foram acumuladas e o total foi dividido pelos 16 anos do período. 

Foram identificadas 113 mortes relacionados a melanoma em pacientes pediátricos no Brasil, representando 0,01% de todos os óbitos infantis.  Quando comparados os grupos, houve um predomínio entre os adolescentes (74%) quando comparado a crianças (26%). A taxa média de mortalidade foi de 0,011367 por 100.000 habitantes para a população pediátrica total (0 a 19 anos), sendo 0,00613 e 0,014785 para as faixas etárias de 0 a 9 anos e 10 a 19 anos, respectivamente.

Em relação ao gênero, houve uma leve predominância na população masculina (50,44%). Entretanto, ao analisar por faixa etária, foram registrados mais óbitos em crianças do gênero feminino, enquanto nos adolescentes houve predominância do sexo masculino. Quando analisada as áreas do Brasil, as regiões Sudeste (32,74%) e Sul (31,86%) e os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul demonstraram maiores óbitos por melanomas pediátricos. A população de pele branca foi a mais afetada, seguida pela parda. Esses achados podem estar relacionados à densidade populacional, melhor qualidade dos dados de notificação, acesso mais fácil aos serviços de saúde e à maior proporção de indivíduos de pele clara, que geralmente apresentam maior risco para melanoma.

Em conclusão, o melanoma pediátrico apresentou baixa mortalidade no Brasil entre 2008 e 2022, corroborando a raridade dessa neoplasia. No entanto, Coelho et al., (2025) evidenciaram que os adolescentes concentraram a maior parte dos óbitos e apresentaram taxas de mortalidade superiores às observadas em crianças mais jovens. Além disso, a distribuição geográfica dos casos, com predominância nas regiões Sul e Sudeste, bem como entre indivíduos de pele branca, refletiu características demográficas e fatores de risco associados ao melanoma. Apesar do número reduzido de óbitos, os resultados reforçaram a importância do diagnóstico precoce, da conscientização sobre fatores de risco e da vigilância clínica adequada nessa faixa etária.