Artículos

Publicado el 12 de octubre de 2026

Manejo da asma no ambiente escolar: benefícios, desafios e impactos do RESCUE-IL

Estudo qualitativo com enfermeiros escolares avaliou a implementação do programa Resources for Every School Confronting Unexpected Emergencies in Illinois (RESCUE-IL) nos Estados Unidos, destacando benefícios dos inaladores de estoque no manejo da asma, desafios operacionais e oportunidades para aprimorar o cuidado respiratório em escolas.

A asma afeta aproximadamente 4,7 milhões de crianças nos Estados Unidos, e cerca de 54% dos casos permanecem sem controle adequado, contribuindo para faltas escolares, prejuízo no desempenho acadêmico e aumento do risco de emergências. Como as crianças passam grande parte do tempo na escola e estão expostas a diversos desencadeantes ambientais, o acesso rápido ao tratamento é essencial.

Esse cenário torna-se ainda mais preocupante pelo fato de muitas crianças permanecerem sem diagnóstico e, entre aquelas diagnosticadas, apenas 52% relatarem possuir um plano de ação para asma (AAP), enquanto poucas têm acesso imediato a um inalador de resgate nas escolas.

Em Illinois, a criação do programa Resources for Every School Confronting Unexpected Emergencies in Illinois (RESCUE-IL) ampliou o acesso gratuito a inaladores de resgate nas escolas públicas, além de fornecer suprimentos e treinamento para o manejo de episódios de desconforto respiratório. Os resultados iniciais foram favoráveis, com retorno às aulas de 76% dos estudantes atendidos e encaminhamento para emergência em apenas 2% dos casos.

Embora esses achados sugiram benefícios relevantes para o manejo da asma no ambiente escolar, ainda são necessárias evidências qualitativas para compreender a experiência de uso desses dispositivos na prática. Nesse contexto, Hardy e colaboradores (2026) investigaram a implementação do RESCUE-IL por meio da experiência de profissionais de saúde escolar, com o objetivo de identificar benefícios, desafios e oportunidades de aprimoramento do programa.

Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com enfermeiros escolares de Illinois que utilizaram inaladores de resgate fornecidos pelo programa durante eventos de desconforto respiratório no ano letivo de 2023-2024. As escolas participantes receberam inaladores de albuterol, espaçadores, materiais de apoio e treinamento para utilização dos dispositivos. As entrevistas abordaram a carga da asma no ambiente escolar, a experiência com o programa e as características dos atendimentos realizados. Os dados foram analisados por meio de análise temática, permitindo identificar os principais fatores relacionados ao uso dos inaladores de estoque nas escolas.

Durante o período de acompanhamento, 2.171 escolas registradas no portal RESCUE-IL reportaram eventos envolvendo inaladores de estoque, totalizando 657 atendimentos. Entre as 279 escolas que relataram pelo menos um evento, 37 profissionais aceitaram participar do estudo e 24 completaram as entrevistas, representando 23 distritos. Metade dos participantes havia utilizado o inalador de estoque apenas uma vez, enquanto os demais relataram múltiplas utilizações. A maioria atuava em escolas de ensino fundamental ou médio.

A análise identificou 33 códigos, agrupados em três temas principais: benefícios e barreiras do programa de inaladores de estoque, experiências de utilização dos dispositivos e suporte à implementação do RESCUE-IL.

Os enfermeiros destacaram a importância dos inaladores de estoque diante da elevada carga de asma nas escolas, das dificuldades de acesso à assistência médica e da frequência de estudantes sem documentação adequada ou sem acesso ao próprio inalador. O programa foi associado ao tratamento imediato dos sintomas respiratórios, favorecendo a permanência dos alunos na escola e proporcionando maior segurança aos profissionais durante o atendimento de crises.

Entre as principais preocupações apontadas estavam aspectos relacionados à implementação do programa, ao compartilhamento dos dispositivos e ao receio de que alguns estudantes passassem a depender dos inaladores de estoque em vez de portar seus próprios medicamentos.

Os eventos atendidos estavam frequentemente associados à atividade física, condições climáticas e esquecimento dos inaladores pessoais. A maioria dos estudantes atendidos possuía diagnóstico prévio de asma, embora alguns casos tenham contribuído para a identificação de novos diagnósticos (n=3; 12,5%) ou para a reavaliação da gravidade da doença (n=1; 4,2%). Os enfermeiros relataram que os protocolos fornecidos pelo programa facilitaram o atendimento, embora alguns profissionais tenham administrado doses inferiores às recomendadas pelo RESCUE-IL, seguindo orientações habitualmente presentes nos planos de ação individuais dos estudantes.

Após os eventos, a maioria dos alunos retornou às atividades escolares, enquanto poucos necessitaram de encaminhamento para serviços de emergência. O acompanhamento geralmente envolveu comunicação com familiares, orientações sobre o manejo da asma e incentivo à avaliação médica, embora dificuldades para garantir o seguimento clínico tenham sido frequentemente relatadas.

De modo geral, o treinamento e os materiais disponibilizados pelo programa foram bem avaliados, embora os participantes tenham apontado oportunidades de aprimoramento relacionadas à adesão aos protocolos de administração do albuterol, à simplificação da documentação e a aspectos logísticos da implementação. Os inaladores de estoque foram considerados uma ferramenta importante para o manejo da asma e de outros episódios de desconforto respiratório no ambiente escolar, sendo associados à melhora dos desfechos dos estudantes, à redução da necessidade de encaminhamentos para emergência e ao aumento da confiança dos profissionais de saúde.

Assim, os autores concluíram que o RESCUE-IL é uma iniciativa viável, bem aceita e de fácil implementação, que deve integrar uma estratégia mais ampla de cuidado envolvendo escola, família e serviços de saúde, com potencial para ampliar o acesso ao tratamento da asma e reduzir desigualdades em saúde.