Artículos

Publicado el 1 de noviembre de 2026

Isotretinoína e depressão

Isotretinoína na acne moderada a grave: o que revela a evidência científica sobre segurança psiquiátrica?

Acompanhamento prospectivo de 143 pacientes demonstrou queda média nos escores de ansiedade e depressão com o tratamento da acne, mas reforça a necessidade de triagem em indivíduos com histórico psiquiátrico prévio.

Autor/a: Samet Bayazit e Zekayi Kutlubay

Fuente: Dermatologic Therapy, 2026. A Prospective Study of the Effects of Isotretinoin on Depression, Anxiety, and Suicidal Ideation

A acne vulgar é uma dermatose inflamatória crônica do aparelho pilossebáceo que acomete cerca de 9,4% da população mundial e até 85% dos adolescentes. A isotretinoína sistêmica, aprovada para o tratamento de quadros graves de acne nodulocística, pode desempenhar um papel na fisiopatologia da depressão por meio de seus possíveis efeitos no sistema nervoso central. No entanto, a associação direta entre o uso da medicação e a ocorrência de efeitos adversos psiquiátricos permanece sendo um tema controverso na literatura médica. Por isso, Bayazit e Kutlubay (2026) realizaram um estudo com o objetivo de avaliar a evolução dos sintomas de depressão, ansiedade e ideação suicida em pacientes com acne vulgar moderada a grave sob tratamento com isotretinoína.

O estudo prospectivo e aberto foi conduzido no Departamento de Dermatologia da Universidade de Istambul. A amostra foi constituída por 143 pacientes com idade igual ou superior a 16 anos, portadores de acne vulgar moderada a grave e que completaram o acompanhamento integral até o quarto mês do protocolo. Foram estabelecidos como critérios de exclusão o uso vigente de medicações psiquiátricas, gestação, lactação e a presença de comorbidades sistêmicas graves. A gravidade da acne foi quantificada por meio do sistema Global Acne Grading System (GAGS), registrando-se também os dados demográficos, o histórico prévio de doenças psiquiátricas e as avaliações físicas e laboratoriais mensais de rotina.

No total, 73 pacientes foram designados ao grupo isotretinoína, recebendo a droga por via oral na dose de 0,5 a 1,0 mg/kg/dia, enquanto 70 pacientes integraram o grupo controle, tratado com antibioticoterapia sistêmica e/ou terapêutica tópica.

As avaliações clínicas e psicométricas foram executadas no baseline, no segundo e no quarto mês de tratamento. Para a mensuração dos sintomas depressivos, utilizou-se a versão validada em turco do Beck Depression Inventory (BDI), cujos escores foram classificados em depressão mínima (0–13), leve (14–19), moderada (20–28) e grave (29 ou superior). A ideação suicida foi operacionalizada como uma pontuação igual ou maior que 1 na questão específica sobre suicídio contida no BDI. Por sua vez, a ansiedade foi avaliada mediante a versão em turco do Beck Anxiety Inventory (BAI), categorizada em ausência de ansiedade (0–7), leve (8–15), moderada (16–25) e grave (26–63).

A análise demográfica e clínica inicial demonstrou homogeneidade entre os grupos de intervenção e controle em relação à média de idade, à distribuição por sexo e ao histórico prévio de doença psiquiátrica. Todavia, o grupo tratado com isotretinoína apresentou uma proporção significativamente maior de casos de acne grave em comparação ao grupo controle.

No tocante aos sintomas depressivos mensurados pelo BDI, observou-se uma redução estatisticamente significante nos escores médios de ambos os grupos ao longo do acompanhamento de quatro meses. Na comparação direta entre o baseline e o quarto mês, os escores de depressão diminuíram de forma significante tanto na população sob isotretinoína quanto na submetida às terapias convencionais.

Em termos de prevalência, a taxa de depressão no grupo isotretinoína variou de 11,0% no início para 13,7% ao final do quarto mês, alteração que não atingiu significância estatística. Especificamente, sete pacientes do grupo isotretinoína desenvolveram sintomas depressivos leves (n = 4) ou moderados (n = 3) no quarto mês, e dois pacientes apresentaram agravamento dos sintomas pré-existentes, ao passo que cinco obtiveram atenuação do quadro. Já no grupo controle, a proporção de indivíduos com depressão reduziu significativamente de 18,6% para 11,5% no quarto mês.

Quanto aos níveis de ansiedade avaliados pelo BAI, constatou-se alteração longitudinal significante nos escores médios de ambos os grupos, com valores no quarto mês substancialmente inferiores aos basais. A comparação intergrupos não revelou diferenças significantes nos níveis de ansiedade em nenhum dos períodos avaliados. No grupo isotretinoína, a prevalência de ansiedade declinou de modo estatisticamente significante de 39,7% no início para 28,5% no quarto mês, registrando-se atenuação dos sintomas em 16 pacientes e exacerbação em quatro. No grupo controle, a frequência de ansiedade diminuiu de 32,9% para 28,5%, sem significância estatística.

Na análise de regressão linear multivariada, a alocação no grupo de tratamento não se associou de forma independente aos escores de depressão ou ansiedade em nenhum momento do estudo. Por outro lado, o histórico psiquiátrico basal manteve-se como um fator preditor independente associado a maiores escores de depressão e ansiedade durante todo o período de acompanhamento. A gravidade da acne associou-se de forma independente aos escores de depressão no momento basal e no segundo mês, mas perdeu significância no quarto mês. A análise estratificada por faixa etária (23 adolescentes de 16 a 17 anos vs. 120 adultos com 18 anos ou mais) não demonstrou disparidades estatísticas entre os tratamentos.

Por fim, a ocorrência de ideação suicida durante o tratamento com isotretinoína foi registrada em quatro pacientes, ocorrendo exclusivamente em adultos. Dentre esses quatro pacientes, dois possuíam histórico psiquiátrico prévio, um apresentava depressão grave no baseline e dois evoluíram com aumento na gravidade dos sintomas depressivos durante a terapia. Não foi relatado nenhum caso de ideação suicida no grupo controle.

Em conclusão, o tratamento com isotretinoína para acne vulgar moderada a grave não foi associado a um aumento global nas pontuações de depressão ou ansiedade, pelo contrário, verificou-se uma atenuação média dos sintomas psíquicos com o decorrer do tratamento. Não obstante, os achados sustentaram que a prescrição de isotretinoína exige vigilância clínica contínua, especialmente em indivíduos com histórico de transtornos psiquiátricos, sendo necessários novos estudos prospectivos de grande porte e com seguimento pré e pós-tratamento para definir com maior precisão o risco de ideação suicida.