A integração da inteligência artificial (IA), especialmente dos modelos de linguagem de grande porte (Large Language Models – LLMs), à prática médica tem crescido rapidamente. Na dermatologia, ferramentas baseadas em aprendizado de máquina vêm sendo utilizadas para auxiliar no diagnóstico, prognóstico e planejamento terapêutico de diversas doenças cutâneas. No entanto, a confiabilidade das recomendações geradas por esses sistemas, particularmente em doenças crônicas como a psoríase, ainda não está totalmente esclarecida.
Diante disso, Demet e colaboradores (2026) avaliaram o grau de concordância das recomendações terapêuticas para psoríase fornecidas pelos modelos de IA ChatGPT e DeepSeek em relação às diretrizes clínicas da American Academy of Dermatology (AAD).
Foram elaboradas 31 perguntas com base nas diretrizes AAD-NPF de 2021 para o tratamento da psoríase. As respostas foram analisadas por dois dermatologistas certificados, sem conhecimento prévio da origem das respostas, e classificadas como concordantes ou discordantes das recomendações oficiais. Os índices de concordância foram calculados de acordo com a força das recomendações, e a concordância entre os modelos foi avaliada por meio do coeficiente kappa de Cohen.
Tanto o ChatGPT quanto o DeepSeek apresentaram taxa global de concordância de 87,1% com as diretrizes clínicas analisadas. Ambos os modelos demonstraram alinhamento completo com as recomendações consideradas fortes. O ChatGPT apresentou melhor desempenho em recomendações de força moderada (87,5% versus 81,3%), enquanto o DeepSeek obteve resultados superiores em cenários com evidências limitadas (66,7% versus 33,3%). Além disso, a concordância entre os dois modelos foi considerada moderada (κ = 0,43).
Embora ambas as tecnologias tenham demonstrado potencial para fornecer informações alinhadas às recomendações baseadas em evidências para o manejo da psoríase, inconsistências observadas principalmente em situações com menor nível de evidência reforçaram a necessidade e a importância de supervisão médica. Os autores concluíram que a IA pode atuar como ferramenta complementar na prática dermatológica, mas sua incorporação segura à assistência clínica depende de validação contínua e aplicação contextualizada.