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Publicado el 11 de octubre de 2026

Hidradenite supurativa

Impacto do tabagismo na gravidade da hidradenite supurativa

Estudo de Poulsen e colaboradores (2026) com duas grandes coortes dinamarquesas mostrou que o tabagismo está associado a maior gravidade da hidradenite supurativa, pior qualidade de vida e menor resposta terapêutica.

Autor/a: Poulsen ,A.H. et al.

Fuente: J Eur Acad Dermatol Venereol. 2026; 00: 1–9. Impact of smoking on disease severity and treatment outcomes in hidradenitis suppurativa

A hidradenite supurativa (HS) é uma doença inflamatória crônica da pele caracterizada por nódulos dolorosos, abscessos recorrentes e túneis drenantes que afetam principalmente áreas de dobras do corpo, como axilas e virilhas, acometendo cerca de 1% a 2% da população.

Embora sua etiologia ainda não seja completamente compreendida, o tabagismo é considerado um dos principais fatores ambientais associados à HS. Evidências sugeriram que a fumaça do cigarro pode intensificar os processos inflamatórios envolvidos na doença, estando relacionada a maior risco de desenvolvimento, formas mais graves e menor resposta ao tratamento.

Diante das evidências ainda conflitantes sobre essa associação, Poulsen e colaboradores (2026) avaliaram como o histórico de tabagismo e as mudanças nesse hábito influenciam a gravidade da HS e os desfechos terapêuticos dos pacientes.

Para isso, os autores utilizaram duas grandes coortes prospectivas dinamarquesas. A Copenhagen Hidradenitis Suppurativa Cohort (HIS-COP) avaliou a relação entre tabagismo, atividade da doença e resposta a tratamentos como tetraciclinas, clindamicina associada à rifampicina e terapias biológicas. A Danish Skin Cohort (DSC), por sua vez, foi utilizada para investigar o impacto das mudanças no hábito de fumar sobre a evolução clínica dos pacientes.

Os participantes foram classificados como nunca fumantes, ex-fumantes ou fumantes atuais, e a atividade da doença foi avaliada por meio de pontuações clínicas validadas, indicadores de qualidade de vida e desfechos relatados pelos próprios pacientes. Também foram investigados os efeitos da iniciação e da cessação do tabagismo na evolução da condição.

Foram incluídos 787 pacientes da HIS-COP e 419 da DSC. Na coorte HIS-COP, mais da metade dos participantes eram fumantes atuais (53,9%). Em comparação com os indivíduos que nunca fumaram, fumantes e ex-fumantes apresentaram maior prevalência de obesidade e comorbidades, incluindo diabetes, hipertensão, dislipidemia e transtornos psiquiátricos.

O tabagismo atual foi significativamente associado a formas mais graves da HS. Em comparação com os não fumantes, os fumantes apresentaram maior probabilidade de classificação em Hurley estágio III, pontuações mais elevadas de atividade da doença (IHS4), pior qualidade de vida avaliada pelo DLQI, maior incômodo global dos sintomas e maior presença de túneis drenantes ativos. Essas associações permaneceram significativas após ajuste para potenciais fatores de confusão.

Embora uma maior carga tabágica, medida em maços-ano, tenha sido associada a maior atividade da doença nas análises iniciais, essa relação perdeu significância estatística após ajuste para idade e sexo.

Na avaliação da resposta ao tratamento, fumantes apresentaram menor benefício com tetraciclinas, com reduções menos expressivas da IHS4, do número de túneis drenantes, do comprometimento da qualidade de vida e do incômodo relacionado à HS. Entre os pacientes tratados com terapias biológicas, também foi observada menor melhora do DLQI. Por outro lado, não foram observadas diferenças significativas na resposta à combinação de clindamicina e rifampicina.

Considerando todos os tratamentos em conjunto, os fumantes apresentaram menor probabilidade de alcançar melhorias clinicamente relevantes nos sintomas e maior ocorrência de efeitos adversos.

Na DSC, fumantes atuais, ex-fumantes e indivíduos que nunca fumaram apresentaram estabilidade relativa da gravidade da doença durante o período de observação. Em contraste, participantes que iniciaram ou interromperam o hábito de fumar apresentaram tendência de aumento da atividade da doença no seguimento, sugerindo piora clínica transitória. Apesar disso, todos os grupos demonstraram redução das pontuações de DLQI em relação aos valores basais.

Em resumo, os resultados reforçaram a associação entre tabagismo e maior gravidade da HS, com pior qualidade de vida e menor resposta ao tratamento com tetraciclinas entre fumantes. Além disso, pacientes que iniciaram ou interromperam o hábito de fumar apresentaram tendência de agravamento da doença no curto prazo. Embora sejam necessários estudos com acompanhamento mais prolongado, os achados indicaram que a cessação do tabagismo deve permanecer uma estratégia fundamental no manejo da HS, com suporte adequado durante o período de transição.