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Publicado el 11 de octubre de 2026

O papel dos dispositivos vestíveis na neurologia

Revisão de Benish e colaboradores (2026) explorou o uso de tecnologias vestíveis de consumo no monitoramento de condições neurológicas, destacando aplicações em epilepsia, cefaleias, distúrbios do sono e rastreamento cardiovascular.

Autor/a: Benish, S. M. et al.

Fuente: Neurology ® 2026;106:e214802. Wearable Technology and Its Role in Neurologic Care

Introdução

Os dispositivos vestíveis (wearables), como relógios inteligentes e outros sensores corporais, vêm ganhando espaço no cuidado neurológico por possibilitarem o monitoramento contínuo de atividades e sinais fisiológicos.

Embora possam complementar a avaliação clínica e o acompanhamento dos pacientes, ainda existem desafios relacionados à interpretação dos dados, falsos positivos, ansiedade dos pacientes, desigualdades de acesso, proteção de dados e integração com prontuários eletrônicos.

Nesse contexto, Benish e colaboradores (2026) discutiram as evidências, limitações e perspectivas do uso de tecnologias digitais e dispositivos vestíveis de uso comercial sem autorização da Food and Drug Administration (FDA), destacando seu potencial e os cuidados necessários para sua incorporação à prática neurológica.

Exemplos de aplicação dos dispositivos vestíveis na Neurologia

> Monitoramento cardíaco e rastreamento de arritmias

Relógios inteligentes utilizam a tecnologia de fotopletismografia (PPG), sensores capazes de monitorar a frequência cardíaca e identificar possíveis arritmias, como a fibrilação atrial (FA), condição associada ao aumento do risco de acidente vascular encefálico (AVE).

Estudos com dispositivos como Apple Watch e Fitbit demonstraram boa capacidade de rastreamento, mas também evidenciaram limitações, incluindo idade mais jovem dos participantes, falsos positivos e ansiedade relacionada aos alertas. Assim, alterações identificadas por dispositivos de consumo devem ser confirmadas por exames médicos convencionais, como o eletrocardiograma de 12 derivações.

> Epilepsia

Dispositivos vestíveis podem auxiliar na detecção de crises convulsivas, monitoramento de sintomas e identificação de fatores desencadeantes. Sensores de movimento, frequência cardíaca e atividade autonômica presentes em relógios inteligentes mostraram potencial para reconhecer crises e fornecer informações adicionais para pacientes e profissionais de saúde. Além disso, dados de sono, atividade física e frequência cardíaca vêm sendo utilizados em modelos capazes de estimar períodos de maior risco de crises.

> Cefaleias

Na área das cefaleias, os dispositivos vestíveis têm sido estudados principalmente para aplicações de biofeedback e monitoramento comportamental. Esses recursos permitem acompanhar parâmetros fisiológicos, como variabilidade da frequência cardíaca e temperatura corporal, auxiliando no controle de enxaquecas.

Estudos também sugeriram que dados coletados por essas tecnologias podem ajudar a compreender padrões associados às crises de cefaleia, incluindo alterações no sono, na atividade física e na frequência cardíaca. Embora os resultados sejam promissores, sua aplicação clínica ainda requer mais evidências.

> Sono

O monitoramento do sono é uma das aplicações mais difundidas dos dispositivos vestíveis. Relógios, pulseiras e anéis inteligentes permitem estimar duração e qualidade do sono por meio de sensores de movimento e frequência cardíaca. Apesar de apresentarem boa precisão em indivíduos saudáveis, existem limitações na avaliação de pessoas com distúrbios do sono ou doenças neurológicas. Ainda assim, seu baixo custo, praticidade e capacidade de monitoramento domiciliar tornam essas tecnologias ferramentas promissoras para o acompanhamento longitudinal da saúde do sono.

Conclusão

Os autores destacaram que os dispositivos vestíveis e outras tecnologias digitais têm potencial para ampliar a coleta de dados sobre pacientes neurológicos e favorecer abordagens mais individualizadas. No entanto, seu uso ainda exige avaliação crítica por parte dos profissionais de saúde, considerando fatores como adesão dos pacientes, confiabilidade das informações geradas e privacidade dos dados. À medida que essas tecnologias se tornam mais presentes na prática clínica, torna-se fundamental que neurologistas compreendam suas limitações e possíveis benefícios para orientar adequadamente a tomada de decisão.