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Pontos-chave
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A doença renal crônica (DRC) avançada prejudica a capacidade de excretar cargas ácidas, resultando em retenção de ácidos e acidose metabólica (AM). Essa está associada a várias complicações, incluindo a progressão da DRC, doenças cardiovasculares (CV) e um aumento no risco de mortalidade.
O bicarbonato de sódio emergiu como uma opção terapêutica para AM em populações com DRC, com diversos estudos sugerindo benefícios clínicos na prevenção da deterioração da função renal. No entanto, alguns ensaios não identificaram benefícios da substância na desaceleração do declínio da taxa de filtração glomerular estimada (eTFG).
Além disso, atualmente não há evidências claras sobre os efeitos do bicarbonato de sódio nos níveis de albumina sérica, massa muscular, cálcio e fósforo, e no hormônio paratireoideo intacto (iPTH) em populações com DRC e AM.
Para abordar essa questão, Ting-Ya e colaboradores (2024) realizaram uma meta-análise com o objetivo de fornecer evidências conclusivas sobre os efeitos do bicarbonato de sódio oral em marcadores prognósticos e desfechos clínicos em pacientes com DRC e AM.
Para isso, os pesquisadores utilizaram as bases de dados PubMed, Embase e Cochrane Library para identificar ensaios clínicos randomizados (ECRs) que investigaram o efeito do bicarbonato de sódio em participantes com DRC e AM, desde o início até 11 de novembro de 2023. O desfecho primário foi a mudança na eTFG. Os desfechos secundários incluíram taxas de hospitalização, alteração na pressão arterial sistólica, mortalidade por todas as causas e circunferência muscular do braço médio. Um modelo de efeitos aleatórios foi aplicado para análise, e análises de subgrupos e de sensibilidade também foram realizadas.
No total, quatorze ensaios clínicos randomizados (ECRs), envolvendo 2.037 pacientes, demonstraram que a suplementação com bicarbonato de sódio melhorou significativamente a eTFG (diferença média padronizada [DMP]: 0,33; intervalo de confiança [IC] de 95%: 0,03 a 0,63; P = 0,03). Ademais, o grupo que recebeu bicarbonato de sódio apresentou uma taxa de hospitalização menor (razão de chances: 0,37; IC 95%: 0,25 a 0,55; P < 0,001).
O tratamento com bicarbonato de sódio também foi associado a uma maior circunferência muscular do braço médio em comparação com aqueles que não receberam (DMP: 0,23; IC 95%: 0,08 a 0,38; P = 0,003; I² < 0,001). Contudo, foi observado um risco maior de elevação da pressão arterial sistólica com o tratamento (DMP: 0,10; IC 95%: 0,01 a 0,20; P = 0,03). Não houve diferença significativa na mortalidade por todas as causas.
Sendo assim, em pacientes com DRC e AM, a suplementação com bicarbonato de sódio pode oferecer benefícios potenciais na prevenção da deterioração da função renal e no aumento da massa muscular. No entanto, o tratamento pode estar associado a um maior risco de elevação da pressão arterial. Devido ao risco de viés resultante da ausência de desenhos duplo-cegos e de inconsistências na definição dos grupos controle entre os estudos, pesquisas adicionais são essenciais para confirmar esses achados.