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Publicado el 30 de diciembre de 2024

Doença inflamatória intestinal

Descontinuação de medicamentos biológicos em crianças com doença de Crohn

Desafios no uso e manutenção de terapias biológicas em crianças com doença de Crohn

Autor/a: Ali, S. et al. (2024)

Fuente: Clinical Gastroenterology and Hepatology Characterization of Biologic Discontinuation Among Pediatric Patients With Crohn’s Disease

Terapias biológicas têm se mostrado eficazes no tratamento da Doença de Crohn (DC). No entanto, a sua descontinuação em pacientes pediátricos pode limitar significativamente as opções terapêuticas. Apesar disso, a frequência e os fatores associados à descontinuação de biológicos ainda não estão completamente esclarecidos. Para abordar essa lacuna, Ali e colaboradores (2024) investigaram padrões de uso, descontinuação e avaliação de biológicos em pacientes pediátricos com DC.

O estudo incluiu crianças diagnosticadas com DC de sete centros nos Estados Unidos entre 2010 e 2020, utilizando dados do registro prospectivo ImproveCareNow suplementados com informações de prontuários médicos. Foram analisados biológicos, incluindo anticorpos monoclonais e pequenas moléculas, e avaliados o uso do Monitoramento Terapêutico de Medicamentos (TDM). O TDM foi classificado como de indução (<14 semanas após o início do biológico), proativo (durante a doença quiescente) e reativo (em resposta à doença ativa).

Entre os 823 pacientes (idade média de 13 anos, 40% meninas), 86% iniciaram o uso de biológicos (78% infliximabe, 21% adalimumabe e <1% outros). Cerca de 26% utilizaram imunomoduladores concomitantes por ≥12 meses. O TDM foi realizado em 85% dos casos, sendo 47% de indução, 69% proativo e 24% reativo. Aproximadamente 29% dos pacientes descontinuaram o primeiro biológico após uma mediana de 793 dias, devido à ineficácia (34%), anticorpos antidrogas (8%), eventos adversos (8%) ou não adesão (12%). Dentre os que descontinuaram por ineficácia, 86% passaram por uma avaliação pré-descontinuação. Para infliximabe ou adalimumabe, níveis inferiores a 10 μg/mL foram observados em 62% dos pacientes avaliados por TDM. O uso concomitante de imunomoduladores e TDM proativo reduziu o risco de descontinuação em 32% e 60%, respectivamente.

Os resultados indicaram que a maioria das crianças com DC foi tratada com biológicos, mas 25% a 37% descontinuaram seu uso, com 1 em cada 12 pacientes necessitando de mais de dois biológicos durante o período pediátrico. Metade dos pacientes descontinuou sem testar terapias de alta dosagem, e 14% sem qualquer avaliação. Estratégias como o uso concomitante de imunomoduladores e TDM proativo demonstraram reduzir significativamente o risco de descontinuação. Conclui-se que é essencial adotar medidas que preservem a eficácia dos biológicos e previnam sua descontinuação, garantindo melhores desfechos clínicos para pacientes pediátricos com DC.