Terapias biológicas têm se mostrado eficazes no tratamento da Doença de Crohn (DC). No entanto, a sua descontinuação em pacientes pediátricos pode limitar significativamente as opções terapêuticas. Apesar disso, a frequência e os fatores associados à descontinuação de biológicos ainda não estão completamente esclarecidos. Para abordar essa lacuna, Ali e colaboradores (2024) investigaram padrões de uso, descontinuação e avaliação de biológicos em pacientes pediátricos com DC.
O estudo incluiu crianças diagnosticadas com DC de sete centros nos Estados Unidos entre 2010 e 2020, utilizando dados do registro prospectivo ImproveCareNow suplementados com informações de prontuários médicos. Foram analisados biológicos, incluindo anticorpos monoclonais e pequenas moléculas, e avaliados o uso do Monitoramento Terapêutico de Medicamentos (TDM). O TDM foi classificado como de indução (<14 semanas após o início do biológico), proativo (durante a doença quiescente) e reativo (em resposta à doença ativa).
Entre os 823 pacientes (idade média de 13 anos, 40% meninas), 86% iniciaram o uso de biológicos (78% infliximabe, 21% adalimumabe e <1% outros). Cerca de 26% utilizaram imunomoduladores concomitantes por ≥12 meses. O TDM foi realizado em 85% dos casos, sendo 47% de indução, 69% proativo e 24% reativo. Aproximadamente 29% dos pacientes descontinuaram o primeiro biológico após uma mediana de 793 dias, devido à ineficácia (34%), anticorpos antidrogas (8%), eventos adversos (8%) ou não adesão (12%). Dentre os que descontinuaram por ineficácia, 86% passaram por uma avaliação pré-descontinuação. Para infliximabe ou adalimumabe, níveis inferiores a 10 μg/mL foram observados em 62% dos pacientes avaliados por TDM. O uso concomitante de imunomoduladores e TDM proativo reduziu o risco de descontinuação em 32% e 60%, respectivamente.
Os resultados indicaram que a maioria das crianças com DC foi tratada com biológicos, mas 25% a 37% descontinuaram seu uso, com 1 em cada 12 pacientes necessitando de mais de dois biológicos durante o período pediátrico. Metade dos pacientes descontinuou sem testar terapias de alta dosagem, e 14% sem qualquer avaliação. Estratégias como o uso concomitante de imunomoduladores e TDM proativo demonstraram reduzir significativamente o risco de descontinuação. Conclui-se que é essencial adotar medidas que preservem a eficácia dos biológicos e previnam sua descontinuação, garantindo melhores desfechos clínicos para pacientes pediátricos com DC.
Publicado el 30 de diciembre de 2024
Doença inflamatória intestinal
Descontinuação de medicamentos biológicos em crianças com doença de Crohn
Desafios no uso e manutenção de terapias biológicas em crianças com doença de Crohn
Autor/a: Ali, S. et al. (2024)
Fuente: Clinical Gastroenterology and Hepatology Characterization of Biologic Discontinuation Among Pediatric Patients With Crohn’s Disease
Terapias biológicas têm se mostrado eficazes no tratamento da Doença de Crohn (DC). No entanto, a sua descontinuação em pacientes pediátricos pode limitar significativamente as opções terapêuticas. Apesar disso, a frequência e os fatores associados à descontinuação de biológicos ainda não estão completamente esclarecidos. Para abordar essa lacuna, Ali e colaboradores (2024) investigaram padrões de uso, descontinuação e avaliação de biológicos em pacientes pediátricos com DC.
O estudo incluiu crianças diagnosticadas com DC de sete centros nos Estados Unidos entre 2010 e 2020, utilizando dados do registro prospectivo ImproveCareNow suplementados com informações de prontuários médicos. Foram analisados biológicos, incluindo anticorpos monoclonais e pequenas moléculas, e avaliados o uso do Monitoramento Terapêutico de Medicamentos (TDM). O TDM foi classificado como de indução (<14 semanas após o início do biológico), proativo (durante a doença quiescente) e reativo (em resposta à doença ativa).
Entre os 823 pacientes (idade média de 13 anos, 40% meninas), 86% iniciaram o uso de biológicos (78% infliximabe, 21% adalimumabe e <1% outros). Cerca de 26% utilizaram imunomoduladores concomitantes por ≥12 meses. O TDM foi realizado em 85% dos casos, sendo 47% de indução, 69% proativo e 24% reativo. Aproximadamente 29% dos pacientes descontinuaram o primeiro biológico após uma mediana de 793 dias, devido à ineficácia (34%), anticorpos antidrogas (8%), eventos adversos (8%) ou não adesão (12%). Dentre os que descontinuaram por ineficácia, 86% passaram por uma avaliação pré-descontinuação. Para infliximabe ou adalimumabe, níveis inferiores a 10 μg/mL foram observados em 62% dos pacientes avaliados por TDM. O uso concomitante de imunomoduladores e TDM proativo reduziu o risco de descontinuação em 32% e 60%, respectivamente.
Os resultados indicaram que a maioria das crianças com DC foi tratada com biológicos, mas 25% a 37% descontinuaram seu uso, com 1 em cada 12 pacientes necessitando de mais de dois biológicos durante o período pediátrico. Metade dos pacientes descontinuou sem testar terapias de alta dosagem, e 14% sem qualquer avaliação. Estratégias como o uso concomitante de imunomoduladores e TDM proativo demonstraram reduzir significativamente o risco de descontinuação. Conclui-se que é essencial adotar medidas que preservem a eficácia dos biológicos e previnam sua descontinuação, garantindo melhores desfechos clínicos para pacientes pediátricos com DC.