O manejo da dermatite atópica (DA) em pacientes pediátricos continua sendo um desafio clínico, especialmente para manter o controle da doença e prevenir exacerbações. Embora existam diversas opções terapêuticas tópicas e sistêmicas, a escolha do tratamento exige avaliação cuidadosa da gravidade, resposta terapêutica e características individuais do paciente.
Crianças com DA moderada a grave são particularmente vulneráveis a complicações, como distúrbios do sono e impacto psicológico. Apesar da relevância da doença, há evidências limitadas sobre as taxas de recorrência após diferentes estratégias de tratamento em populações pediátricas. Pesquisas anteriores indicaram que a escalada do tratamento para terapias mais potentes é mais comum em adultos, o que pode indicar subtratamento em crianças e a necessidade de intervenções mais eficazes precocemente.
Evidências adicionais são fundamentais para orientar decisões sobre escalada terapêutica, incluindo o papel do uso precoce de tratamentos sistêmicos, considerando que imunomoduladores clássicos apresentam baixa sobrevivência terapêutica em pediatria. Diante disso, o estudo de Seeberg e colaboradores (2025) comparou as taxas de recorrência da DA pediátrica após tratamento tópico versus sistêmico em uma coorte de centro único.
O estudo observacional retrospectivo incluiu 166 crianças de 0 a 12 anos diagnosticadas com DA e tratadas em um hospital universitário terciário na Dinamarca entre 2019 e 2023. Os pacientes foram agrupados conforme o tratamento recebido: apenas tópico ou sistêmico combinado ao tópico. O reencaminhamento ao departamento foi utilizado como indicador de recorrência.
Em até 30 meses, quase 50% dos pacientes que haviam recebido alta do ambulatório foram reencaminhados ao departamento, refletindo uma alta taxa geral de recorrência. O grupo de tratamento tópico apresentou um declínio maior na sobrevivência livre de recorrência, indicando maior taxa de reencaminhamento em comparação ao grupo sistêmico. Embora a diferença entre os grupos não tenha sido estatisticamente significativa, os pacientes que receberam tratamento sistêmico permaneceram acima do limiar de 75%, sugerindo períodos de remissão mais longos.
A regressão de Cox indicou tendência não significativa para maior risco de recorrência no grupo tópico, mas revelou associação significativa entre maior gravidade basal da doença e risco aumentado de reencaminhamento.
Em resumo, o estudo sugeriu que os tratamentos sistêmicos para DA pediátrica podem oferecer períodos de remissão mais prolongados em comparação às terapias tópicas, apesar dos riscos associados com maior potencial para efeitos adversos. A aprovação de novos tratamentos sistêmicos direcionados, também para crianças, tem contribuído para reduzir esses riscos. A intervenção precoce é particularmente relevante em crianças com DA grave, pois pode melhorar significativamente o controle da doença e a qualidade de vida. Pesquisas futuras devem ampliar a população estudada e investigar desfechos de longo prazo para apoiar o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais eficazes e individualizadas.