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/ Publicado el 21 de septiembre de 2025

Dermatite alérgica de contato

Como o posicionamento dos metais impacta os testes de dermatite alérgica?

Estudo revelou que a proximidade entre níquel, cobalto e cromo nos testes de contato pode aumentar a taxa de resultados positivos, impactando a precisão diagnóstica da DAC.

Autor/a: Duarte, I. et al.

Fuente: Anais Brasileiros de Dermatologia; 100 (2): 272-276 (2025). Interferência do posicionamento de níquel, cromo e cobalto nos resultados dos testes de contato

A dermatite alérgica de contato (DAC) causada por metais é uma condição comum, tendo como principais agentes o níquel (Ni), o cromo (Cr) e o cobalto (Co). A prevalência da DAC por esses metais varia entre países, influenciada por fatores como idade, gênero, etnia, exposição ambiental, genética e ocupação. Estudos mostraram que cerca de 28% da população brasileira apresenta sensibilização ao níquel, 10,5% ao cobalto e 11% ao cromo.

Seu diagnóstico é feito por meio da história clínica, exame físico e, principalmente, pelos testes de contato, que são fundamentais para identificar o agente sensibilizante. A precisão dos resultados depende da correta indicação, aplicação e leitura dos testes.

Embora Ni, Cr e Co não pertençam ao mesmo grupo químico e não induzam reações cruzadas, eles frequentemente estão presentes juntos em materiais diversos, podendo atuar como cossensibilizantes — ou seja, substâncias que, em conjunto, aumentam a resposta imunológica e a sensibilização.

Diante da alta prevalência da DAC por metais, o reconhecimento preciso dos agentes envolvidos é essencial para o diagnóstico etiológico e para orientar adequadamente os pacientes quanto à prevenção e ao manejo da dermatose. Por isso, Duarte e colaboradores investigaram a interferência do posicionamento do Ni, Co e Cr nos resultados dos seus testes de contato, quando aplicados próximos ou distantes entre si.

O estudo realizou dois tipos de testes de contato: a bateria padrão (BP), aplicada no lado esquerdo do dorso, com 30 substâncias distribuídas de forma a evitar proximidade entre possíveis cossensibilizantes; e uma bateria adicional (BA), aplicada no lado direito, contendo apenas níquel (Ni), cobalto (Co) e cromo (Cr) posicionados próximos entre si. As leituras dos testes foram feitas após 48 e 96 horas, sendo considerada para análise apenas a de 96 horas. Reações positivas foram classificadas como 1+, 2+ ou 3+.

Dos 86 pacientes com suspeita de DAC analisados, 62% apresentaram sensibilização ao Ni, Co ou Cr, sendo o níquel o principal alérgeno. Ao comparar os testes de contato realizados com os metais aplicados distantes e próximos entre si, observou-se aumento significativo no número de testes positivos quando os metais estavam próximos (BP).

Na BA, os testes positivos ao Ni aumentaram de 35 para 45, e ao Co, de 18 para 35. O Cr teve aumento discreto, sem relevância estatística. Esses dados sugeriram que a proximidade entre substâncias cossensibilizantes pode potencializar a resposta imunológica, fenômeno conhecido como síndrome da pele excitada.

Em resumo, o estudo reforçou que o posicionamento dos alérgenos nos testes de contato influencia os resultados e deve ser considerado na prática clínica para garantir diagnósticos precisos e orientações eficazes aos pacientes.