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Publicado el 8 de marzo de 2026

Demodex folliculorum

Caracterização clínica da demodecidose pediátrica

Análise clínica detalhada de 45 casos pediátricos acompanhados no Hospital Clínico da Universidade do Chile.

A demodecidose pediátrica é uma condição rara causada pela proliferação dos ácaros Demodex folliculorum e D. brevis, normalmente pouco encontrados em crianças devido à baixa produção de sebo nessa faixa etária. Quando ocorre, pode desencadear inflamação local e manifestações como rosácea papulopustulosa, dermatite perioral, blefarite e placas eczematosas pruriginosas.

A presença desses ácaros em crianças e adolescentes ainda é pouco documentada na literatura nacional e internacional, o que dificulta a definição de condutas padronizadas para diagnóstico, tratamento e seguimento, além de deixar em aberto o entendimento sobre as possíveis consequências inflamatórias crônicas associadas à infestação.

 Nesse contexto, o artigo de Schroder e colaboradores (2025) teve como objetivo caracterizar detalhadamente o perfil clínico de pacientes menores de 18 anos com diagnóstico confirmado de demodecidose, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre essa condição rara na população pediátrica.

O estudo foi realizado no Hospital Clínico da Universidade do Chile entre 2013 e 2020 e analisou 45 pacientes com idade média de 9,3 anos. Os principais achados clínicos incluíram pápulas (97,8%), eritema (95,6%), pústulas (55,6%) e descamação (28,9%), além de manifestações menos frequentes como hordéolo, erosões e conjuntivite. Cerca de 42% dos pacientes apresentavam comorbidades, como acne, asma, rinite alérgica, psoríase e síndrome de Netherton, embora apenas um caso envolvesse imunossupressão, sugerindo que a doença também pode ocorrer em crianças previamente saudáveis.

O diagnóstico foi clínico e confirmado por microscopia direta de raspado cutâneo. Em relação ao tratamento, 83% dos pacientes receberam terapêutica exclusivamente tópica e 17% utilizaram tratamento sistêmico associado, incluindo doxiciclina ou limeciclina por quatro a oito semanas, com limitações relacionadas ao uso de antibióticos sistêmicos em faixas etárias mais baixas. O estudo destacou a baixa solicitação de testes para Demodex em crianças, possivelmente devido à baixa suspeição clínica e ao receio de procedimentos desconfortáveis, o que pode atrasar o diagnóstico.

Em conclusão, os autores recomendaram considerar a demodecidose no diagnóstico diferencial de erupções papulopustulosas faciais e de dermatites refratárias, como dermatite periorificial e rosácea infantil, reforçando a importância da investigação adequada e do tratamento precoce.