O uso de benzodiazepínicos durante a gestação tem aumentado nos últimos anos, apesar das preocupações relacionadas a possíveis riscos para os desfechos obstétricos e neonatais, como aborto, natimortalidade, parto prematuro e restrição de crescimento intrauterino. A literatura disponível até o momento apresenta limitações importantes, o que torna o tema ainda controverso.
Por isso, com o objetivo de avaliar de forma mais robusta a associação entre o uso de benzodiazepínicos e o risco de parto prematuro e recém-nascidos pequenos para a idade gestacional, considerando também os riscos de aborto e natimortalidade, Li e colaboradores (2026) realizaram um ensaio randomizado. Para esses, eles utilizaram dados do National Health Insurance Research Database de Taiwan, abrangendo o período de janeiro de 2011 a dezembro de 2021. O estudo incluiu mulheres entre 15 e 55 anos, nas semanas 0 a 36 da gestação, sem uso prévio de benzodiazepínicos nos seis meses anteriores.
Os desfechos principais avaliados foram: aborto (espontâneo e eletivo), natimortalidade, parto prematuro e recém-nascidos pequenos para a idade gestacional. Para lidar com eventos concorrentes, aplicou-se ponderação por probabilidade inversa estabilizada, incorporando fatores prognósticos pós-basais em todas as gestações. As análises foram estratificadas por trimestre gestacional.
No total, foram incluídas 59.521 gestações expostas a benzodiazepínicos e 394.956 não expostas. A idade média das participantes foi de aproximadamente 32 anos em ambos os grupos. O uso de benzodiazepínicos esteve associado a maior risco de aborto, tanto espontâneo, quanto eletivo. Não foi observada associação significativa com natimortalidade. Após o ajuste para eventos concorrentes, verificou-se associação com aumento do risco de parto prematuro e discreto aumento do risco de recém-nascidos pequenos para a idade gestacional, sendo os efeitos mais pronunciados quando a exposição ocorreu no segundo trimestre.
Em suma, os resultados sugeriram que o uso de benzodiazepínicos durante a gestação foi associado a maior risco de aborto e parto prematuro, além de possível associação com restrição de crescimento intrauterino, embora esta última seja menos consistente e sensível ao método analítico empregado. Esses achados reforçaram a necessidade de cautela na prescrição de benzodiazepínicos para gestantes e destacaram a importância de avaliar riscos e benefícios de forma individualizada.