Uma iniciativa liderada por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP está ampliando o acesso ao cuidado em saúde mental na atenção primária por meio do Conemo (CONtrole EMOcional), uma plataforma digital desenvolvida para rastrear e tratar sintomas de depressão e ansiedade. A ferramenta está em uso nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Indaiatuba (SP) e vem apresentando resultados promissores.
A proposta surgiu em um contexto de alta demanda por cuidados em saúde mental. Estima-se que entre 10% e 12% da população adulta brasileira apresente sintomas de depressão e ansiedade, enquanto apenas uma parcela desses pacientes recebe acompanhamento adequado. Nesse cenário, intervenções digitais têm se mostrado uma estratégia capaz de ampliar o acesso ao tratamento.
O Conemo utiliza técnicas baseadas na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e oferece jornadas interativas por meio de um aplicativo para smartphones. Os conteúdos incluem textos, áudios e vídeos sobre temas como reconhecimento das emoções, manejo da ansiedade, promoção do bem-estar e incentivo à realização de atividades prazerosas. A plataforma também conta com um painel de monitoramento que permite aos profissionais de saúde acompanhar o rastreamento e a evolução dos pacientes.
O desenvolvimento da ferramenta foi respaldado por estudos clínicos realizados entre 2016 e 2018 em São Paulo e Lima, no Peru. Ao todo, 610 pacientes com sintomas depressivos e comorbidades como hipertensão ou diabetes participaram da pesquisa. Os resultados mostraram uma redução mais rápida dos sintomas depressivos entre os usuários do aplicativo em comparação ao grupo controle.
Segundo os pesquisadores, um dos diferenciais do estudo realizado no Brasil foi sua proximidade com as condições reais de atendimento do SUS, com a participação de profissionais das equipes de saúde da família no acompanhamento dos pacientes. Apesar das diferenças socioeconômicas observadas entre os participantes brasileiros e peruanos, os resultados apontaram benefícios da intervenção nos dois países.
Após a validação inicial, o projeto foi ampliado para incluir o manejo de sintomas de ansiedade e passou por atualizações tecnológicas. Em 2024, foi iniciado um projeto piloto em Indaiatuba e Jaguariúna, envolvendo treinamento das equipes de saúde e estratégias de triagem da população.
O acesso ao programa ocorre por meio de questionários validados internacionalmente para avaliação de sintomas de depressão e ansiedade. De acordo com a pontuação obtida, os usuários podem ser encaminhados para as jornadas terapêuticas do aplicativo. O sistema também conta com mecanismos de segurança para identificação de risco de suicídio, permitindo que as equipes das UBSs sejam alertadas rapidamente quando há necessidade de intervenção imediata.
Os primeiros resultados da implementação indicam boa aceitação por parte dos usuários e eficiência no rastreamento de sintomas, facilitando o acompanhamento pelas equipes de saúde. Para os pesquisadores, a combinação entre evidências científicas, inovação tecnológica e integração com a atenção primária pode contribuir para ampliar a oferta de cuidados em saúde mental, especialmente para pacientes com sintomas leves a moderados.
Atualmente, o Conemo está disponível para usuários das UBSs de Indaiatuba. A expectativa dos responsáveis pelo projeto é expandir a iniciativa para outras regiões do Brasil, ampliando o acesso a intervenções digitais em saúde mental dentro da rede pública de saúde.
Publicado el 18 de octubre de 2026
Saúde
Aplicativo para tratar sintomas de depressão e ansiedade é implementado com sucesso no SUS
Plataforma digital baseada em terapia cognitivo-comportamental é utilizada em Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Indaiatuba (SP) e mostra potencial para ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental.
Autor/a: Luiza Caires
Fuente: Jornal da USP Aplicativo para tratar sintomas de depressão e ansiedade é implementado com sucesso em serviços de saúde
Uma iniciativa liderada por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP está ampliando o acesso ao cuidado em saúde mental na atenção primária por meio do Conemo (CONtrole EMOcional), uma plataforma digital desenvolvida para rastrear e tratar sintomas de depressão e ansiedade. A ferramenta está em uso nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Indaiatuba (SP) e vem apresentando resultados promissores.
A proposta surgiu em um contexto de alta demanda por cuidados em saúde mental. Estima-se que entre 10% e 12% da população adulta brasileira apresente sintomas de depressão e ansiedade, enquanto apenas uma parcela desses pacientes recebe acompanhamento adequado. Nesse cenário, intervenções digitais têm se mostrado uma estratégia capaz de ampliar o acesso ao tratamento.
O Conemo utiliza técnicas baseadas na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e oferece jornadas interativas por meio de um aplicativo para smartphones. Os conteúdos incluem textos, áudios e vídeos sobre temas como reconhecimento das emoções, manejo da ansiedade, promoção do bem-estar e incentivo à realização de atividades prazerosas. A plataforma também conta com um painel de monitoramento que permite aos profissionais de saúde acompanhar o rastreamento e a evolução dos pacientes.
O desenvolvimento da ferramenta foi respaldado por estudos clínicos realizados entre 2016 e 2018 em São Paulo e Lima, no Peru. Ao todo, 610 pacientes com sintomas depressivos e comorbidades como hipertensão ou diabetes participaram da pesquisa. Os resultados mostraram uma redução mais rápida dos sintomas depressivos entre os usuários do aplicativo em comparação ao grupo controle.
Segundo os pesquisadores, um dos diferenciais do estudo realizado no Brasil foi sua proximidade com as condições reais de atendimento do SUS, com a participação de profissionais das equipes de saúde da família no acompanhamento dos pacientes. Apesar das diferenças socioeconômicas observadas entre os participantes brasileiros e peruanos, os resultados apontaram benefícios da intervenção nos dois países.
Após a validação inicial, o projeto foi ampliado para incluir o manejo de sintomas de ansiedade e passou por atualizações tecnológicas. Em 2024, foi iniciado um projeto piloto em Indaiatuba e Jaguariúna, envolvendo treinamento das equipes de saúde e estratégias de triagem da população.
O acesso ao programa ocorre por meio de questionários validados internacionalmente para avaliação de sintomas de depressão e ansiedade. De acordo com a pontuação obtida, os usuários podem ser encaminhados para as jornadas terapêuticas do aplicativo. O sistema também conta com mecanismos de segurança para identificação de risco de suicídio, permitindo que as equipes das UBSs sejam alertadas rapidamente quando há necessidade de intervenção imediata.
Os primeiros resultados da implementação indicam boa aceitação por parte dos usuários e eficiência no rastreamento de sintomas, facilitando o acompanhamento pelas equipes de saúde. Para os pesquisadores, a combinação entre evidências científicas, inovação tecnológica e integração com a atenção primária pode contribuir para ampliar a oferta de cuidados em saúde mental, especialmente para pacientes com sintomas leves a moderados.
Atualmente, o Conemo está disponível para usuários das UBSs de Indaiatuba. A expectativa dos responsáveis pelo projeto é expandir a iniciativa para outras regiões do Brasil, ampliando o acesso a intervenções digitais em saúde mental dentro da rede pública de saúde.