Arte & Cultura

Publicado el 29 de mayo de 2026

Doenças neurodegenerativas

A batalha da China contra a doença de Alzheimer

Com o rápido envelhecimento populacional, o país intensifica investimentos em diagnóstico precoce, terapias inovadoras e pesquisa genética para conter o avanço da doença.

Autor/a: Rachel Fieldhouse

Fuente: Nature 650, 816-818 (2026)

A doença de Alzheimer (DA) representa um grande desafio para a China, que concentra cerca de 30% dos casos globais. Com o envelhecimento da população e a baixa taxa de natalidade, a pressão sobre os sistemas de saúde e assistência social deve aumentar drasticamente nas próximas décadas.

Em 2021, aproximadamente 17 milhões de chineses viviam com a DA ou demências relacionadas, no entanto, estima-se que esse número atinja  66 milhões (ou até ultrapassar 100 milhões) até 2050.

Para enfrentar esse cenário, a China tem ampliado os investimentos na área e atraído cientistas para o país, com foco em jovens pesquisadores e centros de inovação. Além disso, o país está implementando programas para melhorar o diagnóstico, tratamento e rastreamento da DA até 2030.

A pesquisa no país se expande com o desenvolvimento de novos fármacos, técnicas cirúrgicas inovadoras, terapias da medicina tradicional chinesa e a busca por biomarcadores precoces, especialmente genéticos.

Embora os investimentos ainda não alcancem o nível de financiamento dos Estados Unidos, a melhora na qualidade e o ritmo acelerado das pesquisas clínicas e pré-clínicas têm chamado a atenção de cientistas do mundo todo.

Avanços terapêuticos

Entre os destaques está o BrAD-R13, um fármaco que imita a proteína BDNF, essencial para a comunicação neuronal e pouco expressa na doença de Alzheimer, podendo proteger os neurônios ao diminuir a formação de placas amiloides e emaranhados de tau.

Outro candidato é o composto NBP, derivado do aipo chinês, usado na medicina tradicional. Estudos indicaram melhora cognitiva e redução de placas amiloides em modelos animais. Em ensaio clínico de 12 meses com 270 pessoas, o NBP pareceu reduzir a gravidade dos sintomas.

A pesquisa clínica também cresceu significativamente, passando de nove ensaios em 2021 para mais de cem em 2024.

Abordagens cirúrgicas

Pesquisadores chineses também investigaram o papel do sistema glinfático na doença. Procedimentos como a anastomose linfático-venosa (LVA) e um procedimento chamado CSULS buscam melhorar a drenagem de resíduos cerebrais, com alguns resultados iniciais promissores. No entanto, devido a uso inadequado por alguns serviços, certas técnicas foram temporariamente proibidas até validação científica.

Diagnóstico precoce e genética

A criação de biobancos com dados de populações chinesas permitiu identificar variantes genéticas associadas à DA, como a do gene TREM2, associada a maior risco e progressão mais rápida da doença. Além disso, pesquisadores desenvolveram testes sanguíneos com 96% de precisão, capazes de detectar a doença até 15 anos antes dos sintomas.

Perspectivas

A produção científica chinesa cresceu de forma acelerada nas últimas décadas, tornando o segundo país mais produtivo na área. Apesar de desafios como barreiras linguísticas e limitações no compartilhamento de dados, a China caminha para se tornar um importante polo global na área.


Fonte: China is waging war on Alzheimer’s. What can its approach teach the rest of the world?