Anualmente, mais de dois milhões de casos de câncer de pele são diagnosticados em todo o mundo, sendo os trabalhadores ao ar livre (TALs) um dos grupos de maior risco. Estimativas recentes indicaram que a exposição solar ocupacional direta afeta pelo menos 480 milhões de trabalhadores globalmente. Atualmente, apenas um número limitado de países reconhece o câncer de pele relacionado à exposição ocupacional aos raios UV como uma doença ocupacional, e os casos de carcinomas cutâneos muitas vezes são subnotificados.
O projeto Helios baseou-se em dados de uma ampla pesquisa realizada entre 28 de setembro e 18 de outubro de 2021, utilizando um painel Ipsos com 3.540.000 membros de 17 países em cinco continentes. Esta subanálise permitiu que Passeron et al. (2024) aprofundassem o tema da proteção solar na população de TALs, examinando seus comportamentos e conhecimento sobre a exposição solar.
A subpopulação de TALs foi definida pela pergunta: “Você já teve ou atualmente tem um trabalho, hobby ou atividade esportiva que o expõe regularmente ao sol?”, com os participantes respondendo "sim" ou "não" para o item “um trabalho” (e também para o item “hobby ou atividade esportiva”). As análises estatísticas foram baseadas em tabelas de frequência, médias, desvios padrão, intervalos de confiança de 95% e testes qui-quadrado bilaterais com nível de significância de 0,05 para comparar diferentes subgrupos.
Os TALs representaram 37% (N = 6131) de todos os respondentes da pesquisa (N = 17.001). A proporção de tipos de pele mais escura foi maior entre esse grupo. Ademais, eles relataram mais episódios de queimaduras solares e apresentaram histórico de melanoma, carcinomas de pele e lesões pré-cancerosas com o dobro da frequência dos não-TALs. A realização de exames de pele por dermatologistas foi incomum em ambos os grupos.
Os TALs demonstraram menor conscientização sobre os impactos da exposição solar e seu potencial para causar problemas de saúde da pele. Dentre eles, apenas 27% relataram proteger-se do sol durante todo o ano, em contraste com 20% dos não-TALs. Apesar de apresentarem proteção geral melhor, mais de 80% não se protegiam adequadamente e mais de 40% não utilizavam protetor solar no trabalho.
Em conclusão, os resultados destacaram que as medidas de saúde pública destinadas à prevenção da superexposição ocupacional devem considerar os níveis de risco individuais, acesso a recursos médicos e conscientização. Além disso, juntamente com campanhas públicas de informação sobre os perigos da radiação UV solar, os ambientes de trabalho ao ar livre devem estabelecer medidas práticas e eficazes para proteger a saúde de seus trabalhadores contra os riscos relacionados aos raios UV, de forma semelhante à abordagem adotada para outras exposições ocupacionais.