Em 2022, na Inglaterra, o câncer de pele foi o tipo de tumor com a maior taxa de encaminhamento de Suspeita Urgente de Câncer (USC, na sigla em inglês). Diante desse cenário, a Inteligência Artificial (IA) surge como uma ferramenta promissora na atenção primária, especialmente através das classificações de lesões baseados em aprendizado profundo. Esses intrumentos podem aumentar a detecção precoce do câncer de pele, melhorar a precisão diagnóstica e reduzir a taxa de encaminhamento de lesões benignas para USC.
A atenção primária é considerada o estágio com maior potencial para a aplicação da IA na detecção precoce do câncer de pele. Neste sentido, as tecnologias de classificação de imagens de lesões benignas e malignas, orientadas por IA, podem ser utilizadas como ferramentas de suporte à decisão para avaliar e triar lesões de pele, auxiliando na tomada de decisões de encaminhamento para USC.
Essas tecnologias, voltadas para o paciente, poderiam ser integradas em aplicativos simples para smartphones. Para serem eficazes, elas precisariam analisar imagens macroscópicas com alta sensibilidade, evitando atrasos no diagnóstico, e alta especificidade, prevenindo aumentos substanciais nas taxas de encaminhamento para USC de lesões benignas.
No entanto, ainda existem barreiras a serem superadas, tais como:
• Qualidade da imagem enviada pelo paciente: A precisão da IA depende da qualidade das imagens fornecidas.
• Dados não visuais: Essas tecnologias não consideram fatores relevantes como mudanças nas características da lesão, sensação, exsudação, exposição UV e histórico familiar, o que pode levar a falsos positivos e negativos.
• Demanda do paciente: A disponibilidade e usabilidade dessas tecnologias podem aumentar a demanda dos pacientes para verificações de pintas, mesmo na ausência de sintomas preocupantes.
• Confiança e aceitabilidade: Profissionais de saúde precisam confiar na precisão dessas tecnologias, que requerem monitoramento contínuo, avaliação de desempenho e integração com os fluxos de trabalho clínicos.
Para superar essas barreiras, são necessários ensaios clínicos prospectivos em cuidados primários e estudos qualitativos sobre a percepção de pacientes e médicos em relação ao uso dessas tecnologias. Somente após esses estudos, essas tecnologias poderão ser implantadas, aceitas e dimensionadas na atenção primária.