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Publicado el 1 de octubre de 2026

Teste de RNA urinário mostra alta acurácia na detecção do câncer de bexiga e pode auxiliar na escolha do tratamento

Estudo publicado na Nature Medicine demonstrou que a análise de cfRNA urinário pode melhorar o diagnóstico, o monitoramento e a seleção do tratamento em pacientes com câncer de bexiga.

Um estudo publicado na Nature Medicine descreveu uma nova abordagem de biópsia líquida baseada na análise de RNA livre circulante na urina (cfRNA), capaz de detectar o câncer de bexiga com elevada precisão e fornecer informações sobre a probabilidade de resposta a diferentes estratégias terapêuticas.

A técnica, denominada uRARE-seq (urine random priming and affinity capture of cell-free RNA fragments for enrichment analysis by sequencing), foi desenvolvida para analisar fragmentos de RNA eliminados por células tumorais na urina. Diferentemente dos testes convencionais baseados em DNA, que identificam mutações associadas ao tumor, o método avalia a atividade gênica das células neoplásicas, permitindo caracterizar não apenas a presença do câncer, mas também aspectos de seu comportamento biológico.

Os pesquisadores aplicaram a abordagem a 683 amostras de urina de pacientes com câncer de bexiga, rim ou próstata e de indivíduos sem neoplasias. A análise demonstrou sensibilidade de 95% e especificidade de 90% para a detecção do câncer de bexiga localizado, superando tanto a citologia urinária quanto métodos baseados na análise de DNA tumoral na urina.

Além do potencial diagnóstico, o teste também se mostrou capaz de identificar doença residual mínima após o tratamento e monitorar a resposta terapêutica. Os autores observaram que pacientes que responderam completamente à imunoterapia intravesical com Bacillus Calmette-Guérin (BCG) apresentavam, antes do início do tratamento, assinaturas moleculares enriquecidas por genes relacionados à atividade de linfócitos T e outras vias imunológicas. Em contraste, indivíduos que não responderam à terapia exibiam maior expressão de genes associados à proliferação tumoral.

Com base nessas diferenças biológicas, os pesquisadores desenvolveram um biomarcador capaz de prever a probabilidade de resposta ao BCG em comparação à quimioterapia, alcançando uma área sob a curva (AUC) de 0,93. O marcador também apresentou associação significativa com o risco de recorrência da doença.

Segundo os autores, a tecnologia pode representar um avanço importante no manejo do câncer de bexiga, uma neoplasia caracterizada por altas taxas de recorrência e pela necessidade de monitoramento frequente, atualmente realizado principalmente por cistoscopia. Como o método utiliza apenas amostras de urina, ele oferece a perspectiva de uma estratégia menos invasiva para diagnóstico, vigilância e seleção terapêutica.

Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores destacaram que estudos prospectivos e multicêntricos ainda são necessários para confirmar a utilidade clínica do uRARE-seq e definir seu papel na prática assistencial. Se validada, a abordagem poderá contribuir para uma medicina mais personalizada no tratamento do câncer de bexiga e, potencialmente, de outras neoplasias urológicas.