A terapia com estatinas é recomendada pela U.S. Preventive ServicesTask Force (USPSTF) para a prevenção primária de doenças cardiovasculares (DCV) em adultos de 40 a 75 anos que apresentem pelo menos um fator de risco cardiovascular e um risco elevado de eventos cardiovasculares em 10 anos.
No entanto, para indivíduos com mais de 75 anos, as evidências disponíveis ainda são insuficientes para determinar de forma consistente o equilíbrio entre os benefícios e os potenciais riscos dessa estratégia preventiva. Embora estudos tenham sugerido possíveis benefícios das estatinas nessa população, os resultados permanecem heterogêneos e inconclusivos, especialmente entre aqueles com 80 anos ou mais.
Nesse contexto, Lavon e colaboradores (2026) conduziram um estudo de coorte retrospectivo de base populacional, realizado em Israel entre 2015 e 2020, com o objetivo de avaliar a associação entre o uso de estatinas para prevenção primária e a ocorrência de eventos cardiovasculares e outros desfechos clínicos relevantes em indivíduos com 80 anos ou mais.
Foram incluídos 15.745 pacientes sem histórico prévio de doença cardiovascular, dos quais 8.413 faziam uso contínuo de estatinas. Pacientes com eventos cardiovasculares prévios, em diálise ou que faleceram no primeiro ano de seguimento foram excluídos. A idade média foi de 83,7 anos no grupo tratado e de 85,5 anos no grupo não tratado, sendo aproximadamente dois terços da amostra compostos por mulheres. O tempo médio de acompanhamento foi de quatro anos.
Os desfechos avaliados foram mortalidade por todas as causas, eventos coronarianos incidentes, miopatia, demência e diabetes mellitus. A adesão ao tratamento foi mensurada pelo Medication Possession Ratio (MPR), sendo considerada alta quando ≥ 80%. A associação entre o uso de estatinas e os desfechos clínicos foi analisada por meio de modelos de riscos proporcionais de Cox, com ajuste para potenciais fatores de confusão demográficos e clínicos.
Durante o seguimento, ocorreram 1.683 óbitos (20%) entre os usuários de estatinas e 2.739 óbitos (37%) entre os não usuários, correspondendo a uma redução relativa de 31% no risco de morte associada ao uso de estatinas.
Além disso, os pacientes em uso de estatinas apresentaram redução de 20% no risco de eventos coronarianos incidentes em comparação aos não usuários. Em análise adicional, indivíduos que mantiveram ou iniciaram a terapia após os 80 anos apresentaram redução de 25% na incidência de eventos coronarianos em relação àqueles que interromperam o tratamento antes dessa idade.
Os benefícios foram observados de forma consistente em diferentes níveis de adesão ao tratamento, sendo mais pronunciados entre os pacientes com adesão elevada (MPR ≥ 80%). Do ponto de vista da segurança, não foram observadas diferenças significativas entre os grupos quanto à incidência de miopatia, diabetes mellitus ou demência.
Em conclusão, os achados de Lavon e colaboradores (2026) apoiaram a manutenção da terapia com estatinas para prevenção primária em indivíduos com 80 anos ou mais, sugerindo benefícios clínicos relevantes sem evidências de aumento significativo de eventos adversos. Embora os resultados reforcem a importância de uma avaliação individualizada nessa população, estudos prospectivos ainda são necessários para definir com maior precisão o papel dessa estratégia nessa faixa etária.
Publicado el 7 de septiembre de 2026
Prevenção primária cardiovascular
Terapia com estatinas após os 80 anos: benefícios e segurança na prevenção primária cardiovascular
Estudo de coorte com mais de 15 mil indivíduos de 80 anos ou mais sem doença cardiovascular prévia demonstrou que o uso de estatinas para prevenção primária esteve associado à redução da mortalidade e dos eventos coronarianos, sem aumento significativo de eventos adversos em comparação aos não usuários.
Autor/a: O. Lavon, et al.
Fuente: Journal of the American Geriatrics Society 74, no. 6 (2026): 1687–1691 Statin Therapy for Primary Prevention and Clinical Outcomes in Adults Aged 80 and Older: A Retrospective Comparative Cohort Study
A terapia com estatinas é recomendada pela U.S. Preventive ServicesTask Force (USPSTF) para a prevenção primária de doenças cardiovasculares (DCV) em adultos de 40 a 75 anos que apresentem pelo menos um fator de risco cardiovascular e um risco elevado de eventos cardiovasculares em 10 anos.
No entanto, para indivíduos com mais de 75 anos, as evidências disponíveis ainda são insuficientes para determinar de forma consistente o equilíbrio entre os benefícios e os potenciais riscos dessa estratégia preventiva. Embora estudos tenham sugerido possíveis benefícios das estatinas nessa população, os resultados permanecem heterogêneos e inconclusivos, especialmente entre aqueles com 80 anos ou mais.
Nesse contexto, Lavon e colaboradores (2026) conduziram um estudo de coorte retrospectivo de base populacional, realizado em Israel entre 2015 e 2020, com o objetivo de avaliar a associação entre o uso de estatinas para prevenção primária e a ocorrência de eventos cardiovasculares e outros desfechos clínicos relevantes em indivíduos com 80 anos ou mais.
Foram incluídos 15.745 pacientes sem histórico prévio de doença cardiovascular, dos quais 8.413 faziam uso contínuo de estatinas. Pacientes com eventos cardiovasculares prévios, em diálise ou que faleceram no primeiro ano de seguimento foram excluídos. A idade média foi de 83,7 anos no grupo tratado e de 85,5 anos no grupo não tratado, sendo aproximadamente dois terços da amostra compostos por mulheres. O tempo médio de acompanhamento foi de quatro anos.
Os desfechos avaliados foram mortalidade por todas as causas, eventos coronarianos incidentes, miopatia, demência e diabetes mellitus. A adesão ao tratamento foi mensurada pelo Medication Possession Ratio (MPR), sendo considerada alta quando ≥ 80%. A associação entre o uso de estatinas e os desfechos clínicos foi analisada por meio de modelos de riscos proporcionais de Cox, com ajuste para potenciais fatores de confusão demográficos e clínicos.
Durante o seguimento, ocorreram 1.683 óbitos (20%) entre os usuários de estatinas e 2.739 óbitos (37%) entre os não usuários, correspondendo a uma redução relativa de 31% no risco de morte associada ao uso de estatinas.
Além disso, os pacientes em uso de estatinas apresentaram redução de 20% no risco de eventos coronarianos incidentes em comparação aos não usuários. Em análise adicional, indivíduos que mantiveram ou iniciaram a terapia após os 80 anos apresentaram redução de 25% na incidência de eventos coronarianos em relação àqueles que interromperam o tratamento antes dessa idade.
Os benefícios foram observados de forma consistente em diferentes níveis de adesão ao tratamento, sendo mais pronunciados entre os pacientes com adesão elevada (MPR ≥ 80%). Do ponto de vista da segurança, não foram observadas diferenças significativas entre os grupos quanto à incidência de miopatia, diabetes mellitus ou demência.
Em conclusão, os achados de Lavon e colaboradores (2026) apoiaram a manutenção da terapia com estatinas para prevenção primária em indivíduos com 80 anos ou mais, sugerindo benefícios clínicos relevantes sem evidências de aumento significativo de eventos adversos. Embora os resultados reforcem a importância de uma avaliação individualizada nessa população, estudos prospectivos ainda são necessários para definir com maior precisão o papel dessa estratégia nessa faixa etária.