Um estudo publicado na revista Science Translational Medicine apresentou uma abordagem inédita para tratar fibrose hepática: a produção in vivo de células CAR‑T por meio de nanopartículas lipídicas contendo RNA mensageiro (mRNA).
A técnica, aplicada em camundongos, reprograma células T do próprio organismo para identificar e eliminar células estreladas hepáticas ativadas, principais responsáveis pela formação de tecido cicatricial no fígado. Após uma única aplicação, os animais apresentaram redução significativa da fibrose e melhora do funcionamento hepático em quatro semanas.
Como funciona a nova estratégia?
Tradicionalmente, a terapia CAR‑T exige a remoção, modificação e reinfusão de células T em laboratório. Porém, no novo modelo, o mRNA entregue por nanopartículas cria temporariamente células CAR‑T direcionadas à proteína FAP, presente apenas nas células estreladas ativadas. Isso permite combater a fibrose sem eliminar células saudáveis importantes para a função do fígado.
Os pesquisadores destacaram que esse caráter temporário reduz riscos de toxicidade prolongada, uma preocupação comum na imunoterapia tradicional.
Aplicação no modelo de MASH
Os testes foram conduzidos em camundongos com MASH (esteato‑hepatite associada à disfunção metabólica), condição associada à obesidade e ao diabetes e que pode evoluir para cirrose e câncer hepático. Após seis semanas em dieta rica em gordura e açúcares, os animais receberam a terapia.
Em 18 horas já havia produção de células CAR‑T, e após 30 dias elas não eram mais detectadas, mas os efeitos antifibróticos permaneciam.
Com mais de 350 milhões de pessoas afetadas pela MASH no mundo e sem tratamentos eficazes para fibrose hepática, a técnica representa um avanço promissor. O próximo desafio é avaliar segurança e eficácia em estudos maiores antes de qualquer aplicação clínica.
Fonte: Em estudo inédito, terapia com células CAR-T reduz fibrose hepática em camundongos – Jornal da USP