O Sistema Único de Saúde (SUS) realizou, pela primeira vez, uma telecirurgia robótica oncológica de longa distância, conectando equipes médicas entre Porto Velho (RO) e Barretos (SP), a cerca de 2,7 mil quilômetros de distância.
O procedimento foi realizado em um paciente com câncer de reto e envolveu atuação integrada entre profissionais dos dois hospitais. Enquanto a equipe presente em Porto Velho acompanhou o paciente e operou a estrutura robótica local, especialistas em Barretos monitoraram a cirurgia em tempo real e assumiram, quando necessário, o controle dos instrumentos cirúrgicos remotamente.
A iniciativa faz parte de um projeto do Ministério da Saúde para ampliar o acesso à cirurgia robótica no SUS, especialmente em regiões distantes dos grandes centros médicos. Para viabilizar a operação, foi utilizada uma infraestrutura de alta conectividade, com links redundantes de fibra óptica, suporte em 5G e rede privada virtual (VPN), garantindo segurança e estabilidade durante todo o procedimento.
O projeto integra a Rede de Conectividade Saúde Brasil de Alta Performance e Segurança, criada por meio de parceria entre os Ministérios da Saúde e das Comunicações. O investimento inicial é de R$ 2 milhões, com previsão de execução ao longo de 30 meses.
Além de ampliar o acesso a especialistas, a telecirurgia robótica tem potencial para reduzir deslocamentos de pacientes, fortalecer a capacitação de profissionais de saúde e expandir a oferta de procedimentos de alta complexidade em diferentes regiões do país.
O Ministério da Saúde também avança na incorporação da cirurgia robótica ao SUS, incluindo a prostatectomia radical assistida por robô e a possibilidade de financiamento de sistemas robóticos para hospitais da rede pública. A expectativa é beneficiar cerca de 5 mil pacientes.
Segundo a pasta, a cirurgia robótica pode proporcionar menor sangramento, menos complicações, redução do tempo de internação e recuperação mais rápida em casos selecionados.
Foto: Erasmo Salomão/MS