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Publicado el 30 de junio de 2026

Saúde mental

Depressão crônica altera comunicação entre redes cerebrais

Pesquisa revelou que a duração da depressão está associada a mudanças na comunicação entre redes cerebrais ligadas à atenção, cognição e autorreflexão.

Autor/a: Maria Fernanda Ziegler

Fuente: Agência FAPESP Depressão crônica altera forma como as redes cerebrais se comunicam

A duração da depressão pode ser um fator importante nas alterações cerebrais associadas ao transtorno, segundo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Oxford, publicado na revista Scientific Reports. A pesquisa analisou imagens cerebrais de 46 pacientes com transtorno depressivo maior (TDM) e identificou diferenças na forma como redes cerebrais se comunicam em casos crônicos e não crônicos da doença.

Os resultados mostraram que pacientes com depressão há mais de 24 meses apresentam padrões distintos de conectividade entre a Rede Executiva Central, responsável por funções como atenção e tomada de decisão, e a Rede de Modo Padrão, relacionada à autorreflexão e aos pensamentos internos. Alterações nessa comunicação podem contribuir para sintomas como ruminação e dificuldade de direcionar a atenção ao ambiente externo.

Os pesquisadores observaram que, em pacientes com quadros mais recentes, o aumento da gravidade dos sintomas estava associado à redução da conectividade entre essas redes. Já nos casos crônicos, a relação foi inversa: quanto mais intensos os sintomas, maior a conectividade entre elas, sugerindo mudanças progressivas na dinâmica cerebral ao longo da evolução da doença.

O estudo também identificou associação entre a gravidade da depressão e alterações no volume de massa cinzenta em regiões envolvidas na regulação emocional e no processamento de emoções negativas, como o córtex cingulado anterior e o córtex pré-frontal dorsolateral direito.

Como a pesquisa incluiu apenas pacientes que não utilizavam antidepressivos no momento da análise, os autores destacaram que foi possível avaliar alterações potencialmente relacionadas à própria doença, sem a influência do tratamento farmacológico.

Segundo os pesquisadores, os achados reforçaram a ideia de que as alterações cerebrais na depressão não são estáticas e evoluem ao longo do tempo. Embora ainda não possam ser aplicados diretamente na prática clínica, os resultados contribuem para o avanço do conhecimento sobre a doença e podem, futuramente, auxiliar no desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais personalizadas para pacientes com depressão.