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Publicado el 23 de agosto de 2026

Sensação de queimação na rosácea

Analise o impacto da sensação de queimação na rosácea e sua correlação com o aumento da perfusão sanguínea facial. Huang et al. (2026) revelaram gatilhos dietéticos, padrões sazonais e a importância clínica de tratar sintomas subjetivos 'invisíveis' para melhorar a qualidade de vida do paciente.

A rosácea é uma dermatose inflamatória crônica que acomete principalmente a região centrofacial, caracterizada por manifestações como rubor, eritema persistente, pápulas, pústulas e telangiectasias. Além dos sinais clínicos, a doença frequentemente apresenta sintomas sensoriais subjetivos, incluindo ardência, sensação de picada e prurido.

A ardência facial, descrita como uma sensação de calor desconfortável ou doloroso, é uma queixa comum na prática clínica e pode impactar significativamente a qualidade de vida, comprometendo o sono e agravando aspectos da saúde mental. Esse sintoma está relacionado a mecanismos neurovasculares complexos, incluindo a ativação de vias sensoriais que aumentam a sensibilidade da pele e favorecem a inflamação local.

Estudos sugeriram que a vasodilatação cutânea e o aumento da perfusão sanguínea facial podem contribuir para a percepção da ardência, ao intensificar a sensibilização das terminações nervosas. Com o objetivo de investigar as características clínicas e os fatores associados a esse sintoma, Huang et al. (2026) realizaram um estudo transversal e retrospectivo que combinou dados de questionários estruturados com avaliações vasculares por meio da tecnologia de imagem de contraste de manchas de laser (laser speckle contrast imaging [LSCI]). Além de avaliar o impacto da ardência na qualidade de vida e no estado psicológico dos pacientes, os autores buscaram correlacionar a intensidade do sintoma com alterações objetivas da perfusão sanguínea facial.

O estudo incluiu pacientes com diagnóstico de rosácea estabelecido por dermatologistas segundo os critérios do consenso ROSCO (2019) e as recomendações fenotípicas da National Rosacea Society (2017). Para participação, era necessário relatar sensação de ardência por pelo menos três meses consecutivos e ter capacidade de descrever adequadamente a experiência sensorial. Ao todo, 177 pacientes preencheram os critérios de elegibilidade e completaram a pesquisa.

Os dados clínicos foram coletados por meio de um questionário estruturado elaborado por especialistas, abordando características basais, duração e frequência da ardência, sintomas associados e fatores desencadeantes. Ao todo, 177 pacientes preencheram os critérios de elegibilidade e completaram a pesquisa.

Para a avaliação objetiva das alterações vasculares, foi utilizada a tecnologia LSCI, capaz de mensurar a perfusão sanguínea facial média durante 30 segundos. As medições foram realizadas em duas regiões de interesse (ROIs): a ROI1, delimitada manualmente em áreas de maior perfusão, e a ROI2, uma região retangular padronizada definida a partir de marcos anatômicos específicos, incluindo os cantos interno e externo dos olhos e a asa nasal. Para minimizar fatores de confusão relacionados à vasodilatação, os participantes seguiram um protocolo prévio de padronização, que incluiu abstinência de exercícios físicos por 30 minutos e restrição ao consumo de cafeína, tabagismo e exposição a temperaturas extremas por pelo menos uma hora antes da avaliação.

Dos 177 pacientes que completaram o questionário, 93,2% eram do sexo feminino, com idade predominante entre 30 e 45 anos (41,8%). O fenótipo mais frequente foi a rosácea eritematotelangiectásica (ETR), presente em 87,0% da amostra. Um achado clinicamente relevante foi que 58,8% dos pacientes sentiram a queimação antes mesmo de receberem o diagnóstico formal de rosácea, indicando que este sintoma pode ser um sinal precoce da doença. O sintoma acompanhante mais correlacionado foi o agravamento do eritema (85,3%), seguido por sensações de pele seca/esticada e prurido.

Quanto aos fatores desencadeantes, mais de metade dos participantes identificou o álcool e alimentos picantes como gatilhos dietéticos. No âmbito comportamental, banhos quentes, prática de esportes, estados emocionais negativos, uso de cosméticos e lavagem frequente da face foram apontados como facilitadores significativos do sintoma. O estudo também observou um padrão sazonal e circadiano: a queimação atingiu seu ápice no inverno e no período da tarde (14h00 às 17h59), sendo frequentemente disparada pela alternância térmica entre frio e calor ou pela exposição solar intensa.

No que tange à análise hemodinâmica por LSCI, os resultados foram elucidativos. Comparados aos controles saudáveis, todos os pacientes com rosácea exibiram um aumento significativo na perfusão sanguínea facial. Entretanto, os pacientes que relataram queimação apresentaram os níveis de perfusão mais elevados entre todos os grupos testados, tanto nas ROI1 quanto nas ROI2. Esses dados sugeriram uma correlação direta entre a intensidade da perfusão sanguínea facial e a percepção subjetiva de queimação, reforçando que esse "sintoma invisível" possui um substrato fisiopatológico vascular mensurável.

Em conclusão, a sensação de queimação na rosácea não foi uma queixa subjetiva isolada, mas um sintoma associado de forma significativo ao aumento da perfusão sanguínea facial. As evidências demonstram que essa condição foi fortemente modulada por fatores ambientais, como as oscilações térmicas, além de hábitos dietéticos e comportamentais. É importante que os dermatologistas integrem a avaliação da queimação na rotina diagnóstica, incentivando o desenvolvimento de ferramentas de avaliação padronizadas. Essa abordagem é fundamental para reduzir a carga da doença e o impacto psicológico negativo, permitindo que profissionais de saúde ofereçam intervenções mais precisas e personalizadas que realmente melhorem a qualidade de vida dos pacientes com rosácea.