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Publicado el 20 de septiembre de 2026

Câncer de ovário

Salpingectomia oportunística para a prevenção do carcinoma tubo-ovariano

Declarações de Consenso da Sociedade Europeia de Oncologia Ginecológica (ESGO) reforçaram o papel da remoção preventiva das trompas de Falópio durante cirurgias ginecológicas como uma estratégia promissora para reduzir o risco de câncer de ovário.

O câncer de ovário é um dos principais tipos de câncer feminino no Brasil e continua sendo um dos tumores ginecológicos mais desafiadores devido ao diagnóstico frequentemente tardio e à elevada mortalidade associada.

Nas últimas décadas, avanços na compreensão da carcinogênese tubo-ovariana modificaram os conceitos sobre a origem desses tumores. Evidências indicaram que o epitélio das trompas de Falópio desempenha papel central no desenvolvimento de parte dos carcinomas tubo-ovarianos. Essa descoberta impulsionou o interesse pela salpingectomia oportunística, definida como a remoção das trompas de Falópio durante cirurgias pélvicas ou abdominais realizadas por outras indicações, como estratégia potencial para reduzir o risco futuro da doença.

Nesse contexto, Piek e colaboradores (2026) realizaram uma revisão da literatura para avaliar a eficácia, a segurança, os riscos e os desfechos de longo prazo da salpingectomia oportunística. Com base nos achados, os autores elaboraram declarações de consenso da European Society of Gynaecological Oncology (ESGO) com objetivo de orientar a prática clínica e o aconselhamento de mulheres elegíveis ao procedimento.

A revisão utilizou a base de dados MEDLINE e incluiu estudos publicados em inglês entre janeiro de 2000 e março de 2025. Dos 230 estudos inicialmente encontrados, 129 foram considerados relevantes para o desenvolvimento das declarações de consenso. Foram avaliadas evidências relacionadas à redução do risco de carcinoma tubo-ovariano, à segurança do procedimento, às taxas de complicações, ao tempo cirúrgico adicional e aos possíveis impactos sobre a função ovariana.

Com base nos estudos identificados, um grupo de trabalho internacional composto por 14 membros elaborou e discutiu as declarações de consenso em reuniões virtuais sucessivas, com possibilidade de contribuições anônimas e identificadas. As recomendações foram submetidas a votação binária (concordância ou discordância), sendo consideradas consensuais aquelas que alcançaram mais de 75% de aprovação entre os participantes. Ao final do processo, foram aprovadas 18 recomendações, com graus de recomendação variando de B a D e níveis de evidência entre II e V.

De modo geral, as evidências analisadas demonstraram que a salpingectomia oportunística está associada à redução do risco subsequente de carcinoma tubo-ovariano, sem impacto adverso de curto prazo sobre a função ovariana. Além disso, o procedimento apresentou perfil de segurança favorável, independentemente da via cirúrgica utilizada, com acréscimo mínimo ao tempo operatório.

Os dados disponíveis também não indicaram associação entre o procedimento e prejuízo à função ovariana ou ocorrência de menopausa precoce. No entanto, os autores destacaram que as evidências sobre os desfechos de longo prazo ainda são limitadas. Outro achado relevante foi a viabilidade da remoção das trompas de Falópio tanto em procedimentos ginecológicos quanto em cirurgias pélvicas ou abdominais não ginecológicas selecionadas.

Em conjunto, os resultados demonstram que a salpingectomia oportunística está significativamente associada à redução do risco de carcinoma tubo-ovariano. Com base nas evidências disponíveis, o grupo de especialistas recomendou que essa estratégia seja considerada durante o planejamento cirúrgico de mulheres elegíveis e incorporada ao aconselhamento pré-operatório como uma medida potencial de prevenção do câncer tubo-ovariano.