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Publicado el 29 de octubre de 2026

Retinopatia diabética afeta até um terço das pessoas com diabetes e exige rastreamento regular

Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) apontaram que até 39% das pessoas com diabetes desenvolvem retinopatia, condição cujo diagnóstico precoce pode reduzir significativamente o risco de cegueira.

A retinopatia diabética continua sendo uma das principais causas de perda visual evitável em adultos e pode afetar entre 24% e 39% das pessoas com diabetes no Brasil. Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de um em cada três pacientes desenvolverá a complicação em algum momento da vida. Para ampliar a conscientização sobre a doença, o CBO promoverá ao longo de novembro a campanha 24 Dias pelo Diabetes, com orientações sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento.

A retinopatia diabética ocorre em decorrência dos danos provocados pela hiperglicemia crônica aos pequenos vasos sanguíneos da retina. Como as alterações podem evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais, muitos casos acabam sendo diagnosticados apenas em estágios mais avançados da doença.

O risco de desenvolver retinopatia aumenta com a duração do diabetes. Após 20 anos de diagnóstico, estima-se que cerca de 90% das pessoas com diabetes tipo 1 e 60% das com diabetes tipo 2 apresentem algum grau de comprometimento retiniano. Quando identificada e tratada precocemente, a probabilidade de cegueira pode ser reduzida para menos de 5%. O CBO reforçou que pessoas com diabetes devem realizar acompanhamento oftalmológico regular, mesmo na ausência de sintomas visuais.

A fundoscopia, ou exame de fundo de olho, é considerada um dos principais métodos para detecção da retinopatia diabética. O exame permite a avaliação direta da retina e de seus vasos sanguíneos, possibilitando a identificação de alterações ainda em fases assintomáticas. De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, o rastreamento deve ser realizado:

  • no momento do diagnóstico em pacientes com diabetes tipo 2;
  • cinco anos após o diagnóstico em adultos com diabetes tipo 1;
  • em crianças e adolescentes, até cinco anos após o início da doença ou no início da puberdade.

Pacientes sem retinopatia ou com formas leves geralmente necessitam de acompanhamento anual, enquanto casos moderados ou graves exigem avaliações mais frequentes.

Mulheres com diabetes que estejam grávidas ou planejando engravidar também devem ser monitoradas, com avaliações durante a gestação e no primeiro ano após o parto. por outro lado, pacientes com diabetes gestacional, em geral, não necessitam de rastreamento específico para retinopatia diabética.

Além do acompanhamento oftalmológico, o CBO destacou que o controle da glicemia e da pressão arterial é fundamental para reduzir o risco de desenvolvimento e progressão da retinopatia diabética. Entre as medidas recomendadas estão:

  • aumentar o consumo de fibras, verduras e legumes;
  • reduzir a ingestão de açúcar, sal e alimentos ultraprocessados;
  • evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool;
  • manter peso adequado;
  • priorizar sono de qualidade;
  • reservar tempo para atividades de lazer e descanso.

No Sistema Único de Saúde (SUS), a avaliação inicial pode ser realizada nas unidades básicas de saúde (UBS) ou por equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF), com encaminhamento para atendimento especializado quando necessário. Na saúde suplementar, consultas, exames e procedimentos oftalmológicos podem ser acessados por meio da rede credenciada dos planos de saúde, conforme a cobertura prevista pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Segundo o CBO, ampliar o acesso ao rastreamento é fundamental para diagnosticar precocemente a doença e evitar a progressão para perda visual irreversível.