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Publicado el 29 de octubre de 2026

Novo indicador metabólico pode prever longevidade e risco de doenças crônicas

Ferramenta baseada em dez biomarcadores sanguíneos permite estimar o risco de doenças cardiometabólicas e pode auxiliar estratégias de envelhecimento saudável.

Um novo indicador metabólico desenvolvido por pesquisadores europeus pode ajudar a identificar, ainda na meia-idade, indivíduos com maior probabilidade de envelhecer de forma saudável ou de desenvolver doenças crônicas. A ferramenta, apresentada durante a FAPESP Week Países Baixos por Joris Deelen, do Centro Médico da Universidade de Leiden (LUMC), utiliza informações obtidas a partir de dez substâncias presentes no sangue para estimar o risco futuro de problemas de saúde.

O índice foi desenvolvido a partir da análise de dados de cerca de 44 mil voluntários acompanhados em 12 estudos realizados na Europa. Os pesquisadores avaliaram mais de 200 biomarcadores sanguíneos relacionados ao metabolismo, incluindo marcadores de inflamação, glicemia e lipídios, e investigaram sua associação com mortalidade e aparecimento de doenças crônicas.

Posteriormente, a ferramenta foi simplificada para aplicação clínica. Com a colaboração da estudante brasileira Gabriela Natalle Lopes, da Faculdade Israelita Albert Einstein, o modelo foi atualizado para gerar uma pontuação individualizada baseada em apenas dez marcadores sanguíneos de uso rotineiro. A nova escala também foi reformulada para facilitar a interpretação: notas mais altas passaram a indicar melhor estado de saúde metabólica.

Segundo os pesquisadores, a versão atual da pontuação apresentou capacidade aprimorada para prever o desenvolvimento de doenças cardiometabólicas, como diabetes, infarto do miocárdio e acidente vascular encefálico (AVE). De acordo com Deelen, cada aumento de um ponto na escala esteve associado, em média, ao adiamento de 14 anos no surgimento da primeira doença cardiometabólica. Além disso, o indicador mostrou associação com diferentes marcadores de envelhecimento saudável, incluindo função cognitiva, capacidade pulmonar e força muscular.

Em estudos de intervenção, mudanças no estilo de vida e programas de treinamento de força produziram benefícios mais expressivos entre indivíduos que apresentavam pior condição metabólica no início do acompanhamento. Nesses participantes, foram observadas reduções significativas dos níveis de insulina em jejum e triglicerídeos, além de melhora na composição corporal.

Os resultados sugeriram que a ferramenta pode auxiliar na identificação de pessoas com maior potencial de benefício a partir de intervenções preventivas, além de permitir o monitoramento de sua resposta ao tratamento. As análises também indicaram que aproximadamente 40% da variação da pontuação é explicada por fatores genéticos, enquanto 60% está relacionada ao estilo de vida e ao ambiente. Entre os fatores modificáveis avaliados, o tabagismo apresentou o impacto mais negativo, enquanto a prática regular de atividade física esteve associada a melhores resultados metabólicos.

Durante o evento, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) apresentaram evidências de que a saúde metabólica está diretamente relacionada à interação entre músculo, tecido adiposo, osso e cérebro. Segundo o grupo liderado por Tiago da Silva Alexandre, alterações como o acúmulo de gordura no interior do músculo podem comprometer não apenas a função muscular, mas também aumentar o risco de síndrome metabólica, perda de mobilidade e declínio cognitivo. Os pesquisadores destacaram ainda a relação entre obesidade abdominal, deficiência de vitamina D, redução da força muscular e maior risco de demência em idosos.

Os achados também vêm sendo incorporados a iniciativas de saúde pública. Com apoio da FAPESP, a UFSCar criou o Centro de Ciência para o Desenvolvimento de Métodos Inteligentes no SUS para o Tratamento de Pessoas com Demência (CCD-MIDEM), que utiliza inteligência artificial e biomarcadores para integrar dados clínicos e exames de imagem. O objetivo é desenvolver modelos preditivos capazes de apoiar o diagnóstico precoce e diferenciar os principais tipos de demência, contribuindo para a definição de estratégias terapêuticas mais adequadas para cada paciente.