| Introdução |
Os pólipos gástricos são lesões elevadas da mucosa do estômago frequentemente identificadas durante a endoscopia digestiva alta. Essas lesões englobam diferentes subtipos histológicos e podem estar associadas a alterações da mucosa gástrica subjacente, como gastrite crônica e metaplasia intestinal. Dessa forma, a avaliação adequada dos pólipos e da mucosa adjacente é fundamental para o diagnóstico correto, estratificação de risco e definição do seguimento.
Nesse contexto, Buchner e colaboradores (2026) revisaram as evidências mais recentes sobre os pólipos gástricos e propuseram recomendações práticas para seu diagnóstico, caracterização endoscópica, tratamento e seguimento, com o objetivo de otimizar os desfechos clínicos e o reconhecimento de lesões gástricas pré-neoplásicas e neoplásicas.
| Métodos |
Os especialistas da American Gastroenterological Association (AGA) elaboraram a atualização de prática clínica com base na revisão da literatura científica disponível e na opinião de especialistas. O documento passou por revisão por pares interna e externa, mas, por não ter sido precedido de revisão sistemática formal, as recomendações não receberam classificação quanto à qualidade das evidências ou força de recomendação.
| Recomendações |
1. Reconhecer os diferentes tipos de pólipos gástricos, incluindo pólipos de glândulas fúndicas, pólipos hiperplásicos, adenomas gástricos, adenomas de glândulas pilóricas, adenomas oxínticos, pólipos hamartomatosos e tumores neuroendócrinos gástricos, uma vez que apresentam diferentes riscos de malignidade e exigem abordagens distintas.
2. Considerar que diferentes tipos de pólipos podem coexistir no mesmo paciente, tornando essencial a avaliação cuidadosa de todas as lesões identificadas durante a endoscopia.
3. Reconhecer que diferentes tipos de pólipos gástricos estão associados a alterações histopatológicas específicas da mucosa gástrica adjacente, o que pode auxiliar na identificação e no diagnóstico das lesões.
4. Realizar exame endoscópico sistemático dos pólipos e da mucosa gástrica adjacente, incluindo biópsias e/ou ressecção das lesões, além da investigação de alterações subjacentes, como gastrite associada ao Helicobacter pylori, gastrite autoimune e metaplasia intestinal gástrica.
5. Testar e tratar a infecção por Helicobacter pylori em todos os pacientes com pólipos hiperplásicos ou adenomas gástricos, visto que a erradicação da bactéria pode promover regressão das lesões e reduzir o risco de neoplasia.
6. Não suspender inibidores da bomba de prótons (IBPs) quando houver indicação clínica adequada, mesmo na presença de pólipos de glândulas fúndicas relacionados à hiperplasia glandular.
7. Reconhecer que os diferentes tipos de pólipos gástricos apresentam características específicas quanto à localização, aspecto endoscópico e tamanho, o que pode auxiliar na sua identificação e classificação durante a avaliação endoscópica.
8. Realizar avaliação endoscópica com luz branca de alta definição e técnicas de imagem avançada, como cromoendoscopia virtual, além de documentar as características dos pólipos e das alterações da mucosa gástrica adjacente, visando melhorar a detecção e caracterização das lesões.
9. Realizar a ressecção endoscópica dos pólipos quando indicada, utilizando técnicas convencionais, como polipectomia com alça, pinça de biópsia e mucosectomia endoscópica, ou técnicas avançadas, como a dissecção endoscópica da submucosa, conforme as características da lesão.
10. Priorizar a ressecção dos maiores pólipos quando múltiplas lesões estiverem presentes, enquanto os pólipos menores podem ser submetidos à biópsia ou ressecção, conforme indicação clínica.
11. Realizar biópsias direcionadas de alterações suspeitas na mucosa gástrica adjacente, especialmente na presença de metaplasia intestinal gástrica e/ou gastrite atrófica, seguindo os protocolos estabelecidos.
12. Definir o plano de vigilância endoscópica com base no tipo histológico do pólipo e nas alterações identificadas na mucosa gástrica circundante.
13. Realizar vigilância endoscópica após ressecção de pólipos com displasia, recomendando controle em 12 meses para displasia de baixo grau e em 6 meses para displasia de alto grau. Nos casos de ressecção incompleta ou apenas biópsia da lesão, o seguimento deve ser antecipado para 6 e 3 meses, respectivamente.
14. Manter vigilância endoscópica em pacientes cuja mucosa gástrica adjacente apresente metaplasia intestinal e/ou gastrite atrófica, devido ao maior risco de progressão para neoplasia gástrica.
| Conclusão |
Os pólipos gástricos representam achados frequentes na prática endoscópica e exigem avaliação não apenas da lesão, mas também da mucosa gástrica adjacente. As recomendações da AGA reforçaram a importância da caracterização endoscópica adequada, da ressecção quando indicada, da investigação de H. pylori e da definição individualizada de estratégias de vigilância, visando a prevenção e a detecção precoce de lesões pré-neoplásicas e neoplásicas do estômago.