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Publicado el 30 de julio de 2026

American Gastroenterological Association

Recomendações práticas para o manejo dos pólipos gástricos

Principais orientações da American Gastroenterological Association (AGA) para o diagnóstico, ressecção e seguimento dos pólipos gástricos.

Autor/a: Buchner, A. M. et al.

Fuente: Clinical Gastroenterology and Hepatology Vol. 24, Iss. 4 AGA Clinical Practice Update on Management of Gastric Polyps: Expert Review

Introdução

Os pólipos gástricos são lesões elevadas da mucosa do estômago frequentemente identificadas durante a endoscopia digestiva alta. Essas lesões englobam diferentes subtipos histológicos e podem estar associadas a alterações da mucosa gástrica subjacente, como gastrite crônica e metaplasia intestinal. Dessa forma, a avaliação adequada dos pólipos e da mucosa adjacente é fundamental para o diagnóstico correto, estratificação de risco e definição do seguimento.

Nesse contexto, Buchner e colaboradores (2026) revisaram as evidências mais recentes sobre os pólipos gástricos e propuseram recomendações práticas para seu diagnóstico, caracterização endoscópica, tratamento e seguimento, com o objetivo de otimizar os desfechos clínicos e o reconhecimento de lesões gástricas pré-neoplásicas e neoplásicas.

Métodos

Os especialistas da American Gastroenterological Association (AGA) elaboraram a atualização de prática clínica com base na revisão da literatura científica disponível e na opinião de especialistas. O documento passou por revisão por pares interna e externa, mas, por não ter sido precedido de revisão sistemática formal, as recomendações não receberam classificação quanto à qualidade das evidências ou força de recomendação.

Recomendações

1. Reconhecer os diferentes tipos de pólipos gástricos, incluindo pólipos de glândulas fúndicas, pólipos hiperplásicos, adenomas gástricos, adenomas de glândulas pilóricas, adenomas oxínticos, pólipos hamartomatosos e tumores neuroendócrinos gástricos, uma vez que apresentam diferentes riscos de malignidade e exigem abordagens distintas.

2. Considerar que diferentes tipos de pólipos podem coexistir no mesmo paciente, tornando essencial a avaliação cuidadosa de todas as lesões identificadas durante a endoscopia.

3. Reconhecer que diferentes tipos de pólipos gástricos estão associados a alterações histopatológicas específicas da mucosa gástrica adjacente, o que pode auxiliar na identificação e no diagnóstico das lesões.

4. Realizar exame endoscópico sistemático dos pólipos e da mucosa gástrica adjacente, incluindo biópsias e/ou ressecção das lesões, além da investigação de alterações subjacentes, como gastrite associada ao Helicobacter pylori, gastrite autoimune e metaplasia intestinal gástrica.

5. Testar e tratar a infecção por Helicobacter pylori em todos os pacientes com pólipos hiperplásicos ou adenomas gástricos, visto que a erradicação da bactéria pode promover regressão das lesões e reduzir o risco de neoplasia.

6. Não suspender inibidores da bomba de prótons (IBPs) quando houver indicação clínica adequada, mesmo na presença de pólipos de glândulas fúndicas relacionados à hiperplasia glandular.

7. Reconhecer que os diferentes tipos de pólipos gástricos apresentam características específicas quanto à localização, aspecto endoscópico e tamanho, o que pode auxiliar na sua identificação e classificação durante a avaliação endoscópica.

8. Realizar avaliação endoscópica com luz branca de alta definição e técnicas de imagem avançada, como cromoendoscopia virtual, além de documentar as características dos pólipos e das alterações da mucosa gástrica adjacente, visando melhorar a detecção e caracterização das lesões.

9. Realizar a ressecção endoscópica dos pólipos quando indicada, utilizando técnicas convencionais, como polipectomia com alça, pinça de biópsia e mucosectomia endoscópica, ou técnicas avançadas, como a dissecção endoscópica da submucosa, conforme as características da lesão.

10. Priorizar a ressecção dos maiores pólipos quando múltiplas lesões estiverem presentes, enquanto os pólipos menores podem ser submetidos à biópsia ou ressecção, conforme indicação clínica.

11. Realizar biópsias direcionadas de alterações suspeitas na mucosa gástrica adjacente, especialmente na presença de metaplasia intestinal gástrica e/ou gastrite atrófica, seguindo os protocolos estabelecidos.

12. Definir o plano de vigilância endoscópica com base no tipo histológico do pólipo e nas alterações identificadas na mucosa gástrica circundante.

13. Realizar vigilância endoscópica após ressecção de pólipos com displasia, recomendando controle em 12 meses para displasia de baixo grau e em 6 meses para displasia de alto grau. Nos casos de ressecção incompleta ou apenas biópsia da lesão, o seguimento deve ser antecipado para 6 e 3 meses, respectivamente.

14. Manter vigilância endoscópica em pacientes cuja mucosa gástrica adjacente apresente metaplasia intestinal e/ou gastrite atrófica, devido ao maior risco de progressão para neoplasia gástrica.

Conclusão

Os pólipos gástricos representam achados frequentes na prática endoscópica e exigem avaliação não apenas da lesão, mas também da mucosa gástrica adjacente. As recomendações da AGA reforçaram a importância da caracterização endoscópica adequada, da ressecção quando indicada, da investigação de H. pylori e da definição individualizada de estratégias de vigilância, visando a prevenção e a detecção precoce de lesões pré-neoplásicas e neoplásicas do estômago.