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/ Publicado el 12 de febrero de 2026

Prevenção secundária

Qual estatina usar após o AVE isquêmico agudo?

Análise de 43 mil pacientes sugeriu vantagem da rosuvastatina em comparação com a atorvastatina.

Autor/a: Kim, J. T. et al.

Fuente: Journal of the American Heart Association, V. 14, N. 3. ( 2025) Comparative Effectiveness of Rosuvastatin Versus Atorvastatin in Acute Ischemic Stroke Treatment

A atorvastatina 80 mg é amplamente recomendada para prevenção secundária após acidente vascular encefálico (AVE) isquêmico, especialmente quando o colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade) permanece acima de 100 mg/dL pós-evento. Entretanto, diretrizes europeias e asiáticas não especificam uma estatina preferencial, o que mantém aberta a discussão sobre a melhor escolha terapêutica nesse contexto.

Estudos recentes sugeriram que combinações como rosuvastatina 10 mg + ezetimiba 10 mg apresentam eficácia semelhante à rosuvastatina 20 mg isolada. Além disso, a rosuvastatina costuma demonstrar redução mais intensa do LDL-C em comparação com outras estatinas, mas essa superioridade não significa redução no risco de eventos vasculares. Importante destacar que tais evidências derivam, majoritariamente, de populações não específicas de AVE.

Com a limitada disponibilidade de dados focados em AVE isquêmico, a atorvastatina acaba sendo preferida na prática clínica durante a fase aguda. Nesse contexto, o estudo de Kim e colaboradores (2025) analisou, em um grande registro de AVE, se rosuvastatina e atorvastatina diferem em sua efetividade na prevenção de eventos vasculares após AVE isquêmico agudo, além de avaliar possíveis modificadores de efeito, como intensidade da estatina, subtipo de AVE, níveis de LDL-C na admissão e uso prévio de estatinas.

Foram analisados dados de um registro nacional de AVE na Coreia do Sul entre janeiro de 2011 e abril de 2022. O estudo incluiu pacientes admitidos até sete dias do início dos sintomas que receberam prescrição de atorvastatina ou rosuvastatina na alta hospitalar. Dados clínicos, laboratoriais e de imagem foram coletados prospectivamente, e quando disponível a informação de dose, as estatinas foram classificadas como de alta intensidade (atorvastatina 40–80 mg ou rosuvastatina 20–40 mg) ou baixa a moderada intensidade.

O desfecho primário foi um composto de AVE recorrente (hemorrágico ou isquêmico), infarto do miocárdio e mortalidade por todas as causas em 1 ano.

Nos 43.512 pacientes avaliados, a rosuvastatina foi usada em 15% e a atorvastatina em 85%. Após ajuste por diferenças basais, a rosuvastatina apresentou menor risco do desfecho primário em 1 ano — um composto de AVC recorrente, infarto do miocárdio e mortalidade — com redução relativa de 11% e diferença absoluta de 1%. As taxas absolutas em 1 ano da coorte foram: AVE recorrente 4,4%, mortalidade 6,8%, IAM 0,3% e AVE hemorrágico 0,4%. O principal componente que explicou a diferença entre os grupos foi a menor mortalidade por todas as causas no grupo rosuvastatina, que apresentou redução relativa de 19% no risco de morte em comparação à atorvastatina. Entretanto, não houve diferença entre as estatinas quanto ao subtipo recorrente (isquêmico ou hemorrágico) ou infarto do miocárdio.

O benefício foi mais evidente em pacientes com caso mais grave (NIHSS >10; escala de 0 a 42 que quantifica gravidade neurológica, com escores mais altos indicando maior gravidade). A análise por intensidade de estatina mostrou resultados consistentes, e a rosuvastatina manteve o menor risco do desfecho composto tanto em alta quanto em baixa/moderada intensidade, sem interação entre tipo de estatina e dose.

Em resumo, rosuvastatina esteve associada a menor risco do desfecho composto em 1 ano (AVE recorrente, IAM e mortalidade) em comparação à atorvastatina, com tendência favorável consistente entre diferentes intensidades de estatina, subtipos da condição, níveis basais de LDL‑C e uso prévio de estatina, sem heterogeneidade de tratamento. Contudo, esses dados devem ser interpretados com cautela, pois diferentes métodos estatísticos de ajuste — usados para tentar equilibrar as diferenças entre os grupos — chegaram a resultados parcialmente distintos, reforçando a necessidade de confirmação em estudos prospectivos.