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Publicado el 11 de febrero de 2026

Diagnóstico molecular

Avanços no diagnóstico da otomicose

Revisão sistemática avaliou técnicas moleculares na identificação de fungos e revelou ampla diversidade etiológica na otomicose

A otomicose, infecção fúngica superficial do canal auditivo externo, representa entre 9% e 30% dos casos de otite externa e pode manifestar‑se de forma aguda, subaguda ou crônica. Embora muitas vezes limitada ao canal auditivo, pode evoluir com complicações relevantes, como perfuração timpânica, envolvimento da orelha média, infecções recorrentes, otite média serosa e, em casos mais graves — especialmente em imunossuprimidos — contribuir para otite externa necrosante. O aumento de patógenos resistentes, como Candida auris, acrescenta complexidade ao manejo clínico.

O diagnóstico é tradicionalmente clínico, baseado em sinais como debris esbranquiçado ou enegrecido e otorreia, porém esses achados podem ser indistinguíveis dos quadros bacterianos. Métodos convencionais, como microscopia e cultura, apresentam limitação de sensibilidade, especificidade e tempo de processamento. Nesse contexto, técnicas moleculares têm se destacado por identificar uma maior variedade de agentes, incluindo espécies não detectáveis pelos métodos clássicos. O sequenciamento da região ITS é o padrão‑ouro atual, e testes como PCR multiplex mostram maior sensibilidade e rapidez em comparação às culturas tradicionais.

Apesar da relevância clínica desses métodos, revisões anteriores focaram predominantemente em diagnósticos morfológicos. Diante disso, a revisão sistemática de Nazari e colaboradores (2025) buscou preencher essa lacuna ao estimar a prevalência de otomicose confirmadas por técnicas moleculares, especialmente PCR, e mapear a distribuição detalhada dos fungos responsáveis nesses casos.

A busca foi conduzida nas bases PubMed, Scopus, Web of Science e Google Scholar até abril de 2023, utilizando combinações dos termos relacionados a otomicose. A qualidade das evidências foi avaliada utilizando o JBI Checklist for Prevalence Studies. Dados clínicos e micológicos foram coletados, e a prevalência de otomicose foi estimada por meio de meta‑análise.

Foram identificados 1216 estudos, dos quais apenas 20 preencheram os critérios de inclusão. Entre eles, oito avaliavam pacientes com suspeita clínica de otite externa fúngica e doze investigavam isolados de fungos específicos associados à otomicose. No geral, a qualidade metodológica dos estudos foi considerada baixa segundo o checklist do JBI, principalmente devido à ausência de moldura amostral clara, métodos de amostragem não descritos e falta de informações sobre taxa de resposta. Ainda assim, todos utilizaram métodos diagnósticos moleculares válidos.

Entre os estudos que relataram dados clínicos, 918 pacientes tiveram diagnóstico confirmado de otomicose por métodos moleculares. As meta‑análises mostraram discreto predomínio da infecção em mulheres e baixa frequência de acometimento bilateral. As manifestações clínicas mais comuns foram prurido e otalgia, enquanto manipulação do canal auditivo e natação apareceram como principais fatores predisponentes.

A prevalência agrupada de otomicose entre pacientes com suspeita clínica foi de 58,3%. Ao analisar os agentes etiológicos, os fungos do gênero Aspergillus foram responsáveis pela maioria dos casos, seguidos por Candida. No total, foram identificadas 46 espécies de 11 gêneros diferentes, destacando a diversidade fúngica muito maior do que a reconhecida anteriormente com métodos fenotípicos. Entre as espécies de Aspergillus, A. niger, A. tubingensis e A. flavus foram as mais frequentes. Entre as leveduras, Candida parapsilosis, C. albicans e C. orthopsilosis foram as mais comuns.

Os dados moleculares permitiram detalhar especialmente o complexo Aspergillus seção Nigri, no qual A. tubingensis, A. niger e A. welwitschiae foram as espécies predominantes, com A. tubingensis frequentemente superando A. niger em prevalência — algo mascarado em estudos que não fazem a distinção de espécies.

Em síntese, a revisão mostrou que a otomicose é causada por uma diversidade fúngica muito maior do que a detectada pelos métodos tradicionais. Espécies de Aspergillus, especialmente da seção Nigri, continuam como os principais agentes, seguidas por Candida e outros fungos menos comuns. Os métodos moleculares são essenciais para identificar essa variedade com precisão e orientar o manejo adequado. Ainda assim, são necessários estudos mais amplos e metodologias diagnósticas aprimoradas para aprofundar a compreensão da etiologia e apoiar tratamentos mais direcionados.