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/ Published on September 1, 2025

Epidemiologia

Qual a tendência da depressão daqui a 50 anos?

Desafios e tendências da depressão na China: do impacto do envelhecimento populacional às projeções pós-pandemia.

Author: Yan N, et al.

Fuente: Chinese burden of depressive disorders from 1990 to 2021 and prediction for 2030: analysis of data from the global burden of disease study 2021. Chinese burden of depressive disorders from 1990 to 2021 and prediction for 2030: analysis of data from the global burden of disease study 2021

Introdução

O impacto dos transtornos depressivos tem aumentado constantemente nas últimas décadas. O número de casos incidentes da condição aumentou de 172 milhões em 1990 para 258 milhões em 2017, representando um incremento de 49,86%. Desde 2008, a doença tem sido listada como a terceira principal causa de carga global de doenças pela Organização Mundial da Saúde e está projetada para ser a maior causa até 2030.

A China, o segundo país mais populoso do mundo, responde por 21,3% dos pacientes com depressão globalmente. A prevalência de transtornos depressivos no país é de cerca de 10,5%, e está em ascensão. Os anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs) para transtornos depressivos na China subiram da 15ª posição em 1990 para a 11ª em 2019, com um aumento de 22,0% na prevalência e 14,7% nos DALYs nas últimas três décadas, indicando uma preocupação urgente.

 Os transtornos depressivos são influenciados por fatores individuais, além de influências econômicas, culturais e políticas. Mudanças sociais, reformas políticas, normas sociais e valores diversificados, e o envelhecimento da população chinesa desde 1990 até 2021, provavelmente tiveram um impacto na tendência da carga da doença.

Estudos anteriores sobre a China não consideraram adequadamente os efeitos confundidores de fatores de período e coorte na prevalência e nos DALYs. Além disso, a pandemia da COVID-19, iniciada após 2019, impôs uma carga adicional à saúde mental, com o aumento dos níveis de transtornos depressivos, especialmente em crianças e adolescentes. No entanto, nenhum estudo havia relatado as tendências gerais dos transtornos depressivos e sua carga na China após 2019.

Com base nesses fatores, Yan e colaboradores (2025) realizaram um estudo com objetivo de preencher essa lacuna, analisando os dados mais recentes do Global Burden of Disease (GBD) 2021. O objetivo foi fornecer uma análise atualizada da incidência, prevalência e DALYs associados a transtornos depressivos na China, oferecendo insights sobre a evolução do cenário da saúde mental na era pós-pandemia.

Métodos

Os dados para análise foram obtidos do Global Burden of Disease (GBD) 2021. A análise de Joinpoint foi utilizada para calcular a tanto variação percentual anual geral (APC) quanto a média (AAPC) para descrever as taxas de transtornos depressivos. O modelo de idade, período e coorte foi utilizado para separar os efeitos de idade, período e coorte de nascimento nas taxas de transtornos depressivos. A análise bayesiana de idade-período-coorte (BAPC) foi utilizada para prever as taxas de incidência e números para diferentes sexos e grupos de idade de 2022 a 2030.

Resultados

Tanto as taxas de incidência quanto as de prevalência (ASIR e ASPR, respectivamente) e DALYs padronizados por idade para ambos os sexos mostraram uma tendência de queda flutuante de 1990 a 2021. Entretanto, as taxas brutas mostraram predisposições ascendentes flutuantes, indicando que, apesar das taxas padronizadas por idade estarem diminuindo, o número absoluto de casos e a carga total podem estar aumentando devido a fatores populacionais.

Em relação às diferenças por sexo, as mulheres apresentaram uma maior carga de transtornos depressivos. Entretanto, elas experimentaram uma taxa de redução mais rápida em comparação aos homens.

A análise de Joinpoint é um programa de investigação de regressão utilizado para identificar mudanças em tendências epidemiológicas ao longo do tempo. A AAPC para ASIR, ASPR e DALYs foi de -0,35%, -0,20% e -0,28%, respectivamente indicando uma tendência geral de queda.Apesar dessa predisposição, houve um crescimento significativo entre 2019 e 2021 nas taxas de ASPR e DALYs padronizados por idade, especialmente em homens.

O efeito da idade na incidência apresentou um formato de “N” com aumento antes dos 20-24 anos e novamente após os 30-34 anos. Para prevalência e DALYs, o efeito da idade atingiu o pico novamente aos 60-64 anos, assemelhando-se a um "M".

O efeito do período na incidência apresentou um formato de "V", com flutuações de 1994 a 2009 e um aumento significativo de 2009 a 2019. Os seus impactos na prevalência e DAILYS aumentaram constantemente nas últimas três décadas.

Em relação as previsões de incidência para 2030, a ASIR geral continuará a diminuir, junto com o número de casos de transtornos depressivas, atingindo 15.365.419 homens e 25.263.300 mulheres. Entretanto, acredita-se que a incidência será maior para crianças, adolescentes e idosos.

Conclusão

A carga de transtornos depressivos diminuiu na China de 1990 a 2021 em termos de taxas padronizadas por idade, apesar de um ligeiro aumento de 2019 a 2021. Uma carga maior foi observada em mulheres do que em homens, mas as mudanças de declínio foram mais rápidas em mulheres. A carga de transtornos depressivos foi principalmente devido ao efeito da idade e ao efeito do período nos últimos anos. Ademais, a incidência de transtornos depressivos entre crianças, adolescentes e idosos estará em ascensão no futuro. Devido à grande população, ao número cada vez menor de crianças, à tendência de envelhecimento e à pandemia da COVID-19, mais programas de saúde social sensíveis ao sexo e à idade devem ser considerados no futuro para minimizar a carga de transtornos depressivos.