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/ Publicado el 7 de julio de 2025

Hepatopatia

Quais são os preditores clínicos de perda de peso na MASLD?

Estudo multicêntrico identificou os fatores associados ao sucesso das intervenções em pacientes com doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica.

Autor/a: Pugliese, N. et al.

Fuente: United European Gastroenterol J. (2025) Key Predictors of Relevant Weight Loss in Patients With Metabolic Dysfunction-Associated Steatotic Liver Disease

 

A doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica (MASLD) representa um grande problema de saúde pública global, especialmente entre pessoas com obesidade, diabetes tipo 2 e dislipidemia. Esse espectro clínico, que pode evoluir para esteato hepatite associada a disfunção metabólica (MASH), cirrose e câncer hepático, tem como principal abordagem terapêutica a mudança de estilo de vida com foco em perda de peso. Evidências mostraram que reduções de 5% a 10% do peso corporal promoveram melhora na histologia hepática. Apesar do avanço em terapias farmacológicas — como a aprovação do Resmetirom para MASH não cirrótica — intervenções não farmacológicas seguem essenciais.

Por isso, Pugliese e colaboradores (2025) propuseram identificar os preditores clínicos de sucesso na perda de peso sustentada em pacientes com MASLD, visando otimizar estratégias eficazes de emagrecimento e melhorar os desfechos clínicos nessa população.

Os pacientes receberam orientações sobre modificações no estilo de vida conforme as diretrizes atuais, com reavaliação das medidas antropométricas após 18–24 meses.

Durante o estudo, 897 pacientes com MASLD atenderam aos critérios de inclusão e foram analisados. A idade média foi de 61,6 anos, com predominância masculina de 57,1%. O índice de massa corporal (IMC) médio foi de 30,3, sendo que 47,3% estavam com sobrepeso e 45,5% eram obesos. Diabetes tipo 2 estava presente em 36% dos pacientes, dislipidemia em 55,2%, e hipertensão arterial em 54,7%. Após a avaliação hepatológica inicial, 196 pacientes optaram por participar de um programa com nutricionista, recebendo orientações sobre modificações no estilo de vida com reavaliação das medidas antropométricas após 18–24 meses.

Durante 21 meses de acompanhamento, 76,4% dos pacientes apresentaram variação de peso entre −7% e +7% do peso inicial. No entanto, apenas 18,3% atingiram perda de peso de pelo menos 7%, sendo que 9,8% perderam mais de 10% do valor inicial. Pacientes que atingiram essas metas apresentaram redução mais expressiva na rigidez hepática (LSM, sigla em inglês para Liver Stiffness Measurement) medida por elastografia.

Na análise de regressão minimamente ajustada, os principais preditores clínicos de perda de peso relevante foram IMC elevado, apoio nutricional e uso de agonistas do receptor GLP-1. Além disso, LSM ≥ 10 kPa, bilirrubina ≥ 1,2 mg/dL, gama-glutamiltransferase (GGT), alanina aminotransferase (ALT) e aspartato aminotransferase (AST) altos, hipertensão arterial e glicemia de jejum elevada também foram associados à maior chance de perda de peso.

Por outro lado, na análise multivariada, os marcadores hepáticos AST, ALT, ALP e GGT não se mantiveram como preditores significativos. Mesmo após exclusão dos usuários de GLP-1, o apoio nutricional, o IMC entre 30–34,9 kg/m² e a bilirrubina elevada continuaram associados à perda de peso sustentada.

Em conclusão, o estudo de Pugliese e colaboradores (2025) destacou a importância de uma abordagem abrangente e personalizada no manejo da MASLD, integrando intervenções médicas, nutricionais e de estilo de vida. A perda de peso relevante foi fortemente associada a fatores como IMC elevado, suporte nutricional, uso de agonistas de GLP-1 e rigidez hepática aumentada, apontados como principais preditores clínicos. Esses achados reforçaram o papel das estratégias combinadas para alcançar resultados clínicos significativos, além de fornecer subsídios para práticas assistenciais mais eficazes e orientadas às necessidades individuais dos pacientes.