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Publicado el 15 de junio de 2026

Prevenção cardiovascular

Primeiro infarto do miocárdio: fatores de risco, sintomas e falhas na prevenção

Evidências em mundo real sobre lacunas na estratificação de risco e na adoção de medidas preventivas antes do primeiro infarto do miocárdio.

Autor/a: Nurmohamed, N.S. et al.

Fuente: Eur Heart J. 2025 Oct 7;46(38):3762-3772. First myocardial infarction: risk factors, symptoms, and medical therapy

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, com aumento expressivo nas últimas décadas, impulsionado principalmente por fatores comportamentais, como obesidade e sedentarismo. A prevenção primária baseia-se em pontuações de risco clínico que utilizam fatores tradicionais como idade, sexo, tabagismo, hipertensão e colesterol, porém esses modelos apresentam algumas limitações na prática real.

Apesar do avanço de diversas terapias eficazes para redução do risco cardiovascular, ainda é um grande desafio identificar precocemente indivíduos com maior risco de eventos. Além disso, há escassez de dados do mundo real sobre sintomas e fatores de risco antes do primeiro infarto do miocárdio (IM), bem como sobre a adequação da estratificação de risco e do tratamento preventivo.

Assim, o estudo de Nurmohamed e colaboradores (2025) buscou avaliar esses aspectos em uma grande população de pacientes nos Estados Unidos com primeiro infarto, entre 2017 e 2022.

A busca ocorreu a partir do banco de dados Clarivate Real-World Data, que integra prontuários eletrônicos, registros médicos e dados de farmácia de mais de 300 milhões de indivíduos dos planos de saúde públicos e privados do país.

 Foram avaliados, nos seis meses prévios ao IM, fatores de risco modificáveis, sintomas cardiovasculares, consultas médicas e uso de terapias preventivas. O evento foi classificado em infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (STEMI) e não STEMI com base nos códigos ICD-10, e as análises foram realizadas por idade e sexo.

No total, o estudo incluiu mais de 4,6 milhões de pacientes, com idade mediana de 70 anos, sendo a maior parte dos casos de IM sem supradesnivelamento do ST. Cerca de 82% apresentavam ao menos um fator de risco modificável, com destaque para dislipidemia (63,7%), diabetes tipo 2 (41,5%), obesidade (28,9%) e hipertensão (26,7%), enquanto aproximadamente metade não tinha sintomas registrados antes do evento.

O uso de terapia preventiva foi relativamente baixo, observado em 36,6% dos pacientes, predominando estatinas, betabloqueadores, diuréticos e inibidores da ECA. Embora 77,8% dos pacientes tenham realizado consulta médica prévia, principalmente na atenção primária, mais da metade daqueles com fatores de risco e/ou sintomas não utilizava medicação cardiovascular preventiva.

Observou-se também que pacientes com mais de 60 anos apresentaram maior frequência de fatores de risco, sintomas, consultas e uso de tratamento, enquanto os homens, embora mais prevalentes na amostra total, apresentaram menor busca por atendimento, menor uso de terapias e maior ocorrência de STEMI em comparação às mulheres.

Em resumo, metade dos pacientes que sofreram o primeiro IM não apresentava sintomas prévios documentados e cerca de 20% não possuíam fatores de risco identificados. Os autores também observaram menor frequência de consultas médicas e de uso de terapias preventivas entre indivíduos assintomáticos e mais jovens. Esses achados evidenciaram uma necessidade urgente não atendida de aprimorar a identificação e a adoção de medidas preventivas em indivíduos em risco de IM.