A rinite alérgica (RA) é uma inflamação nasal desencadeada por alérgenos e mediada por IgE, caracterizada por sintomas como congestão, prurido, espirros e coriza, sendo classificada pelas diretrizes Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma (ARIA) quanto à duração e à gravidade dos sintomas. Trata-se de uma condição altamente prevalente, com variações significativas entre países e faixas etárias, e frequentemente banalizada pelos pacientes, o que contribui para elevada automedicação. Fatores como atopia, histórico familiar, condições ambientais e prematuridade aumentam o risco, além de forte associação com asma.
O diagnóstico padrão inclui o teste cutâneo por puntura e dosagem de IgE específica, mas, em contextos com recursos limitados, ferramentas como o questionário Score for Allergic Rhinitis (SFAR) representam alternativas viáveis e validadas para triagem. Apesar da relevância clínica, ainda há escassez de dados sobre a prevalência de RA em diferentes faixas etárias na prática clínica na Índia. Nesse contexto, o estudo de Periera e colaboradores (2025) avaliou a prevalência de RA em pacientes com ≥11 anos e sintomas nasais em diversos serviços de saúde do país.
Foram analisados dados de 40.001 pacientes ≥11 anos, com predominância masculina e idade média de 39 anos, com sintomas nasais atendidos em campanhas de triagem realizadas entre 2022 e 2023, em 19 estados/territórios da Índia. Os autores utilizaram o questionário SFAR integrado a um sistema móvel automatizado, com ponto de corte ≥7 para identificar provável RA. Os dados autorreferidos incluíram informações demográficas, padrão sazonal, sintomas, alérgenos/desencadeantes e prevalência, e as associações entre diferentes fatores de risco foram analisadas.
A prevalência de RA foi de 53,7% entre os participantes, com leve predominância no sexo feminino (54,7% vs. 53,0%), e cerca de metade dos casos com histórico familiar de doenças atópicas. Entre os positivos, 46% já tinham diagnóstico médico e 31,5% haviam realizado testes alérgicos.
Os sintomas mais frequentes foram espirros, coriza, obstrução nasal e manifestações oculares, com maior ocorrência entre outubro e janeiro. Os principais fatores desencadeantes incluíram ácaros da poeira doméstica, pólen e exposição a animais.
A presença de RA esteve significativamente associada a sexo feminino, idade mais avançada, histórico de asma/eczema e exposição a alérgenos, com destaque para a forte relação com sintomas nasais acompanhados de manifestações oculares e diagnóstico prévio de alergias.
Em resumo, o estudo evidenciou alta prevalência de rinite alérgica entre pacientes com sintomas nasais atendidos em clínicas na Índia, destacando a poeira doméstica como principal fator desencadeante e maior impacto nos meses de outubro a janeiro. A condição esteve associada ao sexo feminino, à presença de sintomas alérgicos e ao histórico familiar. Após ajustes, observou-se forte associação com sintomas nasais acompanhados de manifestações oculares e com histórico prévio de doenças alérgicas, reforçando a importância de estratégias de triagem e diagnóstico precoce.