Uma revisão científica conduzida por pesquisadores da USP de Ribeirão Preto apontou que os polifenóis, compostos presentes em alimentos como café, chá verde, uvas, maçã, frutas vermelhas e cúrcuma, podem contribuir para a prevenção da sarcopenia, condição caracterizada pela perda progressiva de massa e função muscular com o envelhecimento.
O estudo reuniu evidências experimentais que indicaram que esses compostos possuem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias capazes de atuar em mecanismos biológicos associados ao envelhecimento muscular. Embora os resultados sejam promissores, os autores destacaram que ainda não há evidências suficientes para recomendações clínicas específicas, já que a maioria dos estudos foi conduzida em modelos animais.
A revisão, publicada na Frontiers in Aging, deu ênfase a alguns polifenóis amplamente investigados, como resveratrol, quercetina, epigalocatequina galato (EGCG) e curcumina. Esses compostos estão presentes, respectivamente, em alimentos como uvas e vinho tinto, maçã e cebola, chá verde e cúrcuma.
Os dados sugeriram que esses nutrientes podem impactar positivamente processos ligados à inflamação, estresse oxidativo, metabolismo energético e regeneração muscular, fatores críticos na fisiopatologia da sarcopenia.
| Mecanismos de ação |
Além do papel antioxidante, os polifenóis demonstram capacidade de modular vias celulares importantes relacionadas ao envelhecimento muscular, incluindo:
- mTOR – associada à síntese proteica e crescimento muscular
- AMPK – reguladora do metabolismo energético e função mitocondrial
- NF-κB – ligada à inflamação crônica
Resveratrol e EGCG se destacam pela ativação de AMPK e SIRT1, enquanto quercetina e curcumina apresentam efeitos anti-inflamatórios, reduzindo mediadores como TNF-alfa e IL-6.
Além disso, os autores reforçaram que os benefícios dos polifenóis parecem ser potencializados pela prática de exercício físico, uma vez que ambos atuam em vias biológicas semelhantes. Estudos em humanos apontaram melhora na força muscular, na velocidade de marcha e na manutenção da massa muscular, especialmente em intervenções acima de 12 semanas.
Apesar dos achados promissores, ainda não existem diretrizes clínicas estabelecidas para o uso de polifenóis no manejo da sarcopenia. Entre os principais desafios estão:
- baixa biodisponibilidade dos compostos;
- ausência de padronização de doses e duração de intervenção;
- influência de fatores individuais, como microbiota intestinal e genética.
Além disso, há necessidade de estudos clínicos robustos em humanos, com maior padronização metodológica.
Outro aspecto relevante é o potencial dos polifenóis em modular mecanismos epigenéticos, influenciando a expressão gênica relacionada ao envelhecimento muscular. Esse achado reforçou a tendência de abordagens mais personalizadas, integrando nutrição, exercício e biologia do envelhecimento.
Segundo os pesquisadores, os polifenóis não devem ser encarados como substitutos de hábitos saudáveis, mas como componentes de uma estratégia multimodal voltada à preservação da saúde muscular ao longo da vida.