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/ Publicado el 6 de noviembre de 2025

Inovação

Pesquisadores brasileiros desenvolveram molécula promissora para tratamento da doença de Alzheimer

A pesquisa que envolveu simulações computacionais, testes de cultura celular e experimentos em animais obteve resultados promissores.

Com apoio da FAPESP, cientistas da Universidade Federal do ABC (UFABC) desenvolveram compostos químicos de fácil síntese que demonstraram potencial terapêutico contra a doença de Alzheimer. Acredita-se que essas moléculas atuem na degradação das placas beta-amiloides — estruturas formadas por fragmentos de peptídeos que se acumulam entre os neurônios, provocando inflamação e comprometendo a comunicação cerebral.

Segundo artigo publicado na revista ACS Chemical Neuroscience, o diferencial dos compostos está na capacidade de se ligar ao cobre, elemento metálico presente em excesso nas placas beta-amiloides. Essa ação quelante favorece a quebra dessas estruturas, contribuindo para a redução dos sintomas da doença. Em testes com modelos animais, os compostos demonstraram eficácia na preservação da memória, na orientação espacial e na capacidade de aprendizado, além de promoverem alterações bioquímicas que indicam reversão do padrão das placas.

A professora Giselle Cerchiaro, da Universidade Federal do ABC (UFABC), que liderou o estudo, explicou que há cerca de dez anos pesquisas internacionais começaram a associar o excesso de íons de cobre à formação das placas beta-amiloides. Mutações genéticas e alterações em enzimas responsáveis pelo transporte de cobre nas células podem levar ao acúmulo do metal no cérebro, favorecendo a agregação dessas placas. Por isso, o controle do equilíbrio do cobre tem se tornado um alvo importante nas estratégias terapêuticas contra o Alzheimer.

Com base nesse conhecimento, o grupo sintetizou diversas moléculas capazes de atravessar a barreira hematoencefálica — estrutura que protege o cérebro — e remover o cobre das placas. Das dez substâncias desenvolvidas, três foram selecionadas para testes em ratos com Alzheimer induzido, sendo que uma delas se destacou por sua segurança e eficácia.

O projeto envolveu pesquisadores da UFABC e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e foi desenvolvido como parte de trabalhos acadêmicos de iniciação científica, mestrado e doutorado. Nos testes, o composto reduziu marcadores de inflamação cerebral e estresse oxidativo, além de restaurar o equilíbrio de cobre no hipocampo, área do cérebro relacionada à memória. Os animais tratados também apresentaram melhora na orientação espacial.

Além dos resultados comportamentais, os testes indicaram que o composto não apresentou toxicidade em culturas de células nem nos animais testados. Simulações computacionais confirmaram que a molécula consegue atravessar a barreira hematoencefálica e atuar diretamente nas regiões afetadas.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa complexa, sem cura conhecida, que afeta milhões de pessoas no mundo. As opções terapêuticas atuais são limitadas e, em geral, apenas aliviam os sintomas. O novo composto, por ser simples, seguro e de baixo custo, representa uma alternativa promissora, mesmo que beneficie apenas parte dos pacientes, dada a natureza multifatorial da doença.

O estudo resultou em um pedido de patente, e os pesquisadores agora buscam parcerias com empresas para iniciar os testes clínicos em humanos.

O artigo Novel copper chelators enhance spatial memory and biochemical outcomes in Alzheimer’s disease model pode ser lido em: pubs.acs.org/doi/10.1021/acschemneuro.5c00291.