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Publicado el 20 de agosto de 2026

Perda de 15% da força muscular pode antecipar declínio da mobilidade em idosos

Análise de mais de 4,5 mil idosos mostrou que perdas de força muscular a partir de 15% estão associadas à redução da velocidade de caminhada, mesmo entre indivíduos que permanecem acima dos critérios tradicionais de fraqueza muscular.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da University College London identificou que a perda de 15% ou mais da força muscular é capaz de prever redução da velocidade de caminhada em idosos, mesmo entre aqueles que ainda apresentam níveis de força considerados normais. Os resultados foram obtidos a partir da análise de 4.541 participantes com 60 anos ou mais do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), acompanhados por até 12 anos. 

Atualmente, a prática clínica costuma utilizar valores absolutos de força de preensão manual para identificar fraqueza muscular. De forma geral, considera-se fraqueza quando a força está abaixo de 27 kg para homens e 16 kg para mulheres. No entanto, os autores observaram que alterações relativas ao longo do tempo podem ser tão ou mais relevantes do que uma medida isolada.
 
Durante o acompanhamento, participantes que perderam entre 15% e 20% da força muscular apresentaram declínio anual mais acentuado da velocidade de marcha, acumulando redução de 0,189 m/s ao longo de 12 anos, enquanto aqueles com perdas superiores a 20% registraram queda acumulada de 0,144 m/s.
 
Embora essas reduções pareçam discretas, os pesquisadores destacaram que o impacto clínico é relevante. A velocidade de caminhada é considerada um indicador sensível de saúde global no envelhecimento e está associada à capacidade funcional, risco de quedas, hospitalizações, institucionalização e mortalidade. Velocidades inferiores a 0,8 m/s são frequentemente utilizadas como marcador de lentidão da marcha e fragilidade.
 
 Os resultados mostraram que o declínio funcional pode se iniciar antes mesmo de o idoso atingir os critérios tradicionalmente utilizados para definir fraqueza muscular, reforçando a importância do monitoramento longitudinal da força. Segundo os autores, uma redução igual ou superior a 15% pode funcionar como marcador precoce de risco para declínio da mobilidade, permitindo a implementação antecipada de intervenções, como treinamento resistido, adequação nutricional e investigação de condições associadas à perda acelerada de massa e função muscular.