A asma é a segunda doença respiratória crônica mais comum, afetando cerca de 300 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, estima-se que 20 milhões de pessoas sejam afetadas por essa doença. Um estudo recente mostrou que a prevalência da asma no Brasil é de 4,6% e 12,1% em adultos e crianças, respectivamente. Embora a maioria dos casos seja controlável com tratamento farmacológico, como corticosteroides inalatórios (ICS) e agonistas β2 de longa ação, até 10% dos pacientes têm asma grave e necessitam de tratamentos adicionais.
Os custos por paciente com asma grave podem ser até dez vezes maiores do que os com a forma leve da doença. No Brasil, 71,5% da população depende do Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece serviços em todos os níveis de assistência.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) solicita “uma melhor vigilância para mapear a magnitude das doenças respiratórias crônicas, analisar seus determinantes e monitorar as tendências futuras.” Avaliar os impactos regionais da asma é importante, especialmente em países com uma vasta área como o Brasil, caracterizado por variações substanciais entre suas macroregiões. Por isso, Pinheiro e colaboradores (2024) realizaram um estudo com o objetivo de atualizar os dados referentes à hospitalização, mortalidade e despesas associadas à asma pelo SUS, examinando as diferenças regionais e as mudanças relevantes de acordo com as alterações nas políticas públicas.
Para isso, eles realizaram um estudo epidemiológico transversal utilizando dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). As taxas proporcionais de hospitalização e mortalidade foram estimadas por 100.000 habitantes, por idade, microrregião e ano.
De 2008 a 2021, o Brasil registrou mais de 8.000 mortes e mais de 1,7 milhão de hospitalizações devido à asma. A região Nordeste teve o maior número absoluto de mortes e hospitalizações entre homens e mulheres, enquanto a região Centro-Oeste teve o menor número durante esse período. O Sudeste foi a única região onde mais homens do que mulheres foram hospitalizados, e nas regiões Norte e Centro-Oeste houve mais mortes entre homens do que entre mulheres, ao contrário das outras três regiões.
Durante o período do estudo, houve uma redução nas hospitalizações na população em geral, tanto entre homens quanto entre mulheres. Entre as macroregiões, o Nordeste apresentou o maior número absoluto de hospitalizações, seguido pelo Sudeste, Sul, Norte e Centro-Oeste. Quando analisado pelo número de habitantes, o Nordeste ainda teve a maior taxa de hospitalização, seguido pelo Norte, Sul, Centro-Oeste e Sudeste. Quando analisado pelo número de habitantes e por sexo, o Nordeste continuou apresentando a maior taxa de hospitalização, seguido pelo Norte, Sul, Centro-Oeste e Sudeste.
Para compreender as características do perfil de hospitalização de acordo com as macroregiões, foram calculados os números médios de dias de internação de 2008 a 2021 e por ano. Curiosamente, a região Sudeste teve o maior número seguida pelas regiões Norte, Sul, Nordeste e Centro-Oeste. No entanto, todas as regiões apresentaram alta variabilidade ao longo dos anos.
Para analisar se a duração da internação estava associada aos gastos hospitalares, foram calculados os custos das internações. A região Sudeste gastou uma maior quantidade de recursos financeiros, seguida pelas regiões Sul, Norte, Nordeste e Centro-Oeste. De 2008 a 2021, os recursos financeiros diminuíram em todas as regiões. Quando corrigidos pelo IPCA, que representa o sistema de metas de inflação do Brasil, os gastos em todas as regiões apresentaram picos em 2015 e 2021.
Em relação às hospitalizações, a taxa de mortalidade também diminuiu ao longo dos anos. Quando analisada em números absolutos, a região Sudeste apresentou a maior mortalidade, seguida pelas regiões Nordeste, Sul, Norte e Centro-Oeste, quando ambos os sexos foram considerados. Quando as respectivas populações foram avaliadas separadamente, observou-se a mesma tendência de redução da mortalidade. Quando normalizadas, as taxas de mortalidade proporcional também diferiram das taxas de hospitalização, com a região Nordeste apresentando a maior proporção de mortes, seguida pelas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte.
Sendo assim, o número total de hospitalizações e mortes por asma diminuiu significativamente de 2008 a 2021. No último ano analisado, 327 pessoas morreram de asma, aproximadamente uma morte por dia, e houve cerca de 55.000 hospitalizações no Brasil. Nos últimos treze anos, houve reduções de 73% e 60% no número absoluto de hospitalizações e mortes por asma, respectivamente. A duração média da internação de pacientes com asma foi de aproximadamente 3 dias, independentemente da região do Brasil. Os custos das internações por asma no Brasil diminuíram durante o período do estudo, apesar da inflação econômica ou instabilidade política.
Logo, os resultados sugeriram que o manejo da asma no Brasil melhorou ao longo dos anos, conforme demonstrado pela redução nas hospitalizações e mortalidade.