A asma representa uma carga significativa à saúde infantil globalmente, com populações minoritárias sendo desproporcionalmente afetadas. A literatura recente cada vez mais relaciona determinantes sociais da saúde às disparidades na prevalência, gravidade e desfechos da asma. Conforme definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), os determinantes sociais d são fatores não médicos que incluem as condições em que as pessoas “nascem, crescem, trabalham, vivem e envelhecem”, além das políticas e sistemas econômicos que influenciam a saúde e a expectativa de vida.
O status socioeconômico é um determinante social chave da saúde e é considerado um fator de risco independente para piores desfechos da asma, particularmente para pessoas com baixa renda familiar. De acordo com os dados mais recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, existe uma relação linear inversa entre a baixa renda familiar e um aumento na incidência de asma. Essa disparidade na prevalência e na carga da doença nessa população é multifatorial, incluindo pouca ou nenhuma educação, condições de vida subótimas e, mais notavelmente, exposição ambiental a alérgenos e poluentes em casas e escolas.
Crianças que residem e frequentam escolas em comunidades urbanas e desfavorecidas são desproporcionalmente afetadas pela exposição ambiental a poluentes e alérgenos interiores. Essa exposição pode desencadear diretamente os sintomas de asma, e a incidência de desenvolvimento da doença aumenta estatisticamente quando as crianças são expostas precocemente na vida. O ambiente construído, que abrange elementos de design comunitário (por exemplo, parques, edifícios e ruas), influencia a exposição ambiental e outros fatores de risco potencialmente modificáveis. Além disso, a prática discriminatória de redlining (que nega sistematicamente serviços financeiros a bairros com base na raça ou etnicidade) em bairros predominantemente negros e hispânicos aprofundou as disparidades de riqueza. Crianças com asma que vivem em áreas que sofreram essas práticas discriminatórias têm piores desfechos da doença devido à proximidade com tráfego intenso e à maior exposição a poluentes atmosféricos.
Durante décadas, investigadores clínicos têm trabalhado para obter uma compreensão abrangente dos determinantes sociais da saúde mediada pelo ambiente e exploraram estratégias para enfatizar a necessidade de equidade na redução das disparidades em saúde. Algumas abordagens concentraram-se em avançar o conhecimento sobre as interações entre fatores ambientais, genéticos e imunológicos. Estudos recentes focaram em entender a interação entre a exposição à poluição do ar e a exacerbação da asma não mediada por vírus. Para crianças que residem em áreas urbanas, a exposição a PM 2,5 (partículas com diâmetro <2,5 μm) induziu a inflamação não do tipo 2, respostas hipersecretórias e disfunção da barreira epitelial das vias aéreas, e a exposição ao ozônio levou à inflamação das vias aéreas mediada por eosinófilos do tipo 2. Além disso, com base em descobertas imunogenéticas que mostraram que pessoas com asma portadoras da variante R576 do receptor de interleucina-4 α (uma variante comum em populações minoritárias) exibiram novos mecanismos inflamatórios Th17, está em investigação o benefício do bloqueio do receptor de interleucina-4 usando uma abordagem estratificada por genótipo (NCT03694158). Se bem-sucedido, este tratamento pode avançar a medicina de precisão direcionada pelo genótipo para pacientes com asma de alto risco.
Várias estratégias para a mitigação de poluentes ambientais e alérgenos têm tido êxito variável. Embora logisticamente desafiador de implementar, realocar crianças com asma de alto risco para fora de suas casas e comunidades mostrou ser eficaz na redução dos sintomas da doença e de suas exacerbações. Estudos demonstraram que as exposições específicas da escola (particularmente altas quantidades de alérgenos de camundongo nas salas de aula) impactaram significativamente a morbidade da patologia. A exposição a alérgenos de camundongo foi associada a um aumento dos sintomas de asma e à redução da função pulmonar, independentemente da sensibilização alérgica, sugerindo que esse ambiente é importante e afirmando as disparidades em saúde.
Os pesquisadores realizaram uma intervenção ambiental escolar e descobriram que estratégias de manejo integrado de pragas nas escolas reduziram significativamente a morbidade da asma durante as temporadas de exacerbação no outono e inverno, mas os benefícios não foram sustentados ao longo de todo o ano letivo. No entanto, as crianças apresentaram menos faltas na escola. Os filtros de ar de alta eficiência para partículas reduziram alérgenos transportados pelo ar, mas não reduziram estatística e significativamente os sintomas de doença. Contudo, o uso desses melhorou a função pulmonar em crianças expostas a altas concentrações de mofo na escola.
Em resumo, os determinantes sociais da saúde são fatores abrangentes e complexos, além de serem também modificáveis, não biológicos, profundamente enraizados nas estruturas sociais que contribuem para a prevalência e os desfechos da asma. Comunidades urbanas com baixo status socioeconômico são desproporcionalmente afetadas devido a vários fatores, incluindo a maior exposição ambiental a poluentes e alérgenos. Evitar alérgenos e gatilhos continua sendo a base de um manejo eficaz da asma. Esforços coordenados entre cientistas, gestores escolares, formuladores de políticas e defensores comunitários para encontrar e implementar as melhores intervenções visando mitigar exposições ambientais devem permanecer como uma prioridade em pesquisas clínicas e políticas de saúde pública.