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Publicado el 2 de julio de 2025

Tratamento não farmacológico da OA

Osteoartrite de joelho: ioga ou fortalecimento?

Evidências mostraram que a ioga foi igualmente eficaz ao fortalecimento muscular na dor da OA de joelho, com benefícios adicionais em adesão e qualidade de vida.

Autor/a: Abafita, B. J. et al.

Fuente: JAMA Netw Open. ;8(4):e253698 (2025). Yoga or Strengthening Exercise for Knee Osteoarthritis: A Randomized Clinical Trial.

A osteoartrite (OA) de joelho, caracterizada por dor articular e disfunção, é uma condição musculoesquelética comum que compromete a mobilidade e a qualidade de vida de mais de 595 milhões de pessoas no mundo. Embora a atividade física seja recomendada como primeira linha de tratamento, ainda há incertezas quanto à eficácia comparativa entre diferentes modalidades de exercício. Por exemplo, enquanto a ioga combina posturas físicas, atenção plena e técnicas respiratórias que podem reduzir a dor por meio do aumento da flexibilidade, redução do estresse e consciência mente-corpo, os exercícios de fortalecimento visam melhorar a força muscular ao redor do joelho, promovendo estabilidade articular e alívio da dor mecânica.

Embora revisões anteriores apontem benefícios promissores da ioga, as evidências disponíveis ainda são limitadas por baixa qualidade metodológica e pela escassez de estudos que a comparem diretamente a intervenções ativas.

Para preencher essa lacuna, Abafita e colaboradores (2025) buscaram comparar diretamente a ioga com um programa estruturado de fortalecimento em adultos com OA de joelho. Os autores partiram da hipótese de que essa atividade apresentaria maior eficácia na redução da dor, melhora funcional e qualidade de vida, com potencial para apoiar sua inclusão como estratégia complementar, centrada no paciente, em futuras diretrizes clínicas.

O estudo YOGA foi um ensaio clínico randomizado comparativo realizado na Austrália, com duração de 24 semanas, envolvendo 117 participantes — 72,6% mulheres — com idade média de 62,5 anos.  Os indivíduos foram alocados aleatoriamente para programas estruturados de ioga (n=58) ou de exercícios de fortalecimento (n=59), ambos com sessões presenciais e domiciliares. Os desfechos avaliados incluíram dor (medida pela Escala Visual Analógica- EVA), função (através do Western Ontario and McMaster Universities Osteoarthritis Index- WOMAC; questionário validado que avalia dor, rigidez e função física em pacientes com osteoartrite de joelho e quadril.), desempenho físico, qualidade de vida, depressão, dor neuropática e adesão ao tratamento.

Após 12 semanas, ambos os grupos apresentaram melhora clínica na dor avaliada pela Escala Visual Analógica (VAS, sua sigla em inglês para Visual Analogue Scale), sem diferença significativa entre eles, o que indicou que a ioga foi não inferior aos exercícios de fortalecimento. Em 24 semanas, o grupo ioga apresentou maior adesão aos exercícios domiciliares e resultados superiores em alguns desfechos secundários, como dor, função e rigidez pelo WOMAC, escore de qualidade de vida e desempenho no teste de caminhada rápida. Esses efeitos adicionais podem estar relacionados à maior aceitação da prática domiciliar e ao seu impacto na saúde física e emocional, especialmente em pacientes com sintomas depressivos — uma condição comum em indivíduos com OA de joelho.

A maioria dos efeitos adversos foi leve e não relacionada diretamente às intervenções. No entanto, o grupo ioga apresentou uma incidência ligeiramente maior de eventos possivelmente associados, como dor no joelho e quedas, sem registro de eventos adversos graves. Essa diferença pode ser atribuída à menor familiaridade com determinadas posturas, embora não tenham sido observados riscos relevantes. A adesão e a fidelidade ao protocolo foram elevadas em ambos os grupos, favorecendo a comparabilidade entre as intervenções.

Em conclusão, a ioga foi tão eficaz quanto o fortalecimento para redução da dor em curto prazo e demonstrou benefícios adicionais de médio prazo em desfechos secundários. Esses dados reforçaram seu potencial como alternativa ou complemento viável no manejo da OA de joelho, especialmente entre pacientes que buscaram abordagens mais integrativas, com foco na saúde física e emocional.