A isotretinoína é o único tratamento médico para acne capaz de induzir remissão — caracterizada por melhora duradoura ou desaparecimento completo das lesões cutâneas, mesmo após o término do tratamento. No entanto, alguns pacientes apresentam recaída e necessitam de novos ciclos terapêuticos. Diante disso, é essencial identificar os indivíduos mais suscetíveis a esse risco e compreender de que forma a dose diária e a dose cumulativa do fármaco influenciam os desfechos clínicos a longo prazo.
Por isso, Lai e Barbieri (2025) buscaram avaliar as taxas de recorrência da acne e de retratamento com isotretinoína, além de identificar fatores associados entre pacientes que receberam um curso de tratamento com o medicamento.
Foram incluídos 19.907 participantes com 12 anos ou mais, que haviam recebido isotretinoína por pelo menos 4 meses e contavam com no mínimo 1 ano de acompanhamento contínuo após o término do tratamento. A idade média foi de 20 anos, dos quais 52,8% eram mulheres, 4.482 apresentaram recaída da acne e 1.639 realizaram retratamento. Embora o sexo feminino tenha se associado a taxas mais elevadas de recorrência, observou-se que doses cumulativas mais altas de isotretinoína estiveram relacionadas à redução desse risco.
A dose diária não se associou à redução de risco de recaída ou retratamento entre aqueles com dose cumulativa convencional ou alta. Adicionalmente, o sexo feminino e a maior dose cumulativa também estiveram associados à menor taxa de retomada de tratamento.
A estratificação por dose cumulativa mostrou que doses mais altas se associaram a menor taxa de retratamento entre pacientes com dose cumulativa baixa (<120 mg/kg) e convencional (120–220 mg/kg), mas não entre aqueles com dose alta (>220 mg/kg). Além disso, a dose diária máxima não esteve associada a menor risco de recorrência ou novo ciclo terapêutico em pacientes com dose acumulada (≥120 mg/kg).
Em resumo, os dados sugeriram que uma maior dose cumulativa pode reduzir o risco de recaída da acne e necessidade de retratamento com isotretinoína. Por fim, os autores observaram que a dose diária não se associou à redução do risco nessas faixas, indicando que o esquema diário pode ser individualizado conforme os objetivos e preferências do paciente.