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Publicado el 6 de octubre de 2026

OMS publica primeiras diretrizes globais para o manejo da obesidade em crianças e adolescentes

Novo documento reforça intervenções de estilo de vida como base do tratamento e define critérios para uso de medicamentos e cirurgia em adolescentes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou suas primeiras diretrizes globais voltadas ao manejo integrado da obesidade em crianças e adolescentes (10 a 19 anos), estabelecendo recomendações baseadas em evidências para auxiliar profissionais e sistemas de saúde no enfrentamento de uma das condições crônicas que mais crescem no mundo.

Em 2024, cerca de 170 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos viviam com obesidade. A entidade destacou que prevalência global quadruplicou desde 1990, passando de 2% para 8%, o que evidencia a necessidade de estratégias mais estruturadas para prevenção e tratamento.

As novas recomendações defendem uma abordagem integrada, centrada na pessoa e fundamentada nos cuidados primários de saúde. O objetivo não é apenas promover perda de peso, mas melhorar a saúde, a funcionalidade e o bem-estar físico e mental dos pacientes ao longo do tempo.

> Intervenções no estilo de vida permanecem como base do tratamento

A OMS recomenda que crianças e adolescentes com obesidade recebam intervenções estruturadas envolvendo alimentação saudável, atividade física e mudanças comportamentais. Essas ações podem ser realizadas individualmente ou por meio de programas multimodais, adaptados à idade, às características clínicas e ao contexto familiar.

O documento também reconhece o potencial das intervenções digitais em saúde, como aplicativos e plataformas de acompanhamento, desde que utilizadas com supervisão adequada dos pais ou cuidadores.

> Medicamentos e cirurgia têm indicação restrita

Uma das principais mensagens das diretrizes é que terapias farmacológicas e procedimentos cirúrgicos não devem ser considerados estratégias de primeira linha.

Para crianças de 0 a 9 anos, a OMS não recomenda medicamentos para perda de peso, cirurgia bariátrica ou dispositivos destinados ao tratamento da obesidade. Para adolescentes entre 10 e 19 anos, medicamentos aprovados podem ser considerados apenas quando programas multimodais supervisionados não alcançarem os resultados desejados. A cirurgia bariátrica, por sua vez, pode ser indicada somente em situações específicas de obesidade grave e sob critérios rigorosos de avaliação e acompanhamento.

> Saúde mental deve fazer parte do cuidado

As diretrizes destacam que ansiedade, depressão, baixa autoestima e dificuldades emocionais podem tanto contribuir para o desenvolvimento da obesidade quanto ser agravadas por ela.

Além disso, crianças e adolescentes com obesidade frequentemente enfrentam estigma, discriminação e bullying, fatores associados a pior qualidade de vida e maior sofrimento psicológico. Por esse motivo, a OMS recomenda que o manejo da obesidade e das condições de saúde mental ocorra de forma integrada e precoce, envolvendo a família e utilizando estratégias adequadas ao desenvolvimento do paciente.

> Abordagem centrada na pessoa e acompanhamento de longo prazo

O documento enfatiza que a obesidade é uma doença crônica e recorrente, exigindo acompanhamento contínuo. Dessa forma, o cuidado deve ser individualizado, considerando as preferências, necessidades e realidade social de cada adolescente e de sua família.

As recomendações foram elaboradas com base em revisões sistemáticas da literatura e incluem orientações sobre alimentação, atividade física, comportamento sedentário, sono, intervenções comportamentais, saúde digital, farmacoterapia, cirurgia bariátrica e abordagens multimodais.

> Um passo importante no enfrentamento da epidemia global

A OMS reforçou que o tratamento individual, embora essencial, não será suficiente para conter o avanço da obesidade. A entidade continua defendendo políticas públicas que promovam ambientes mais saudáveis, ampliando o acesso à alimentação adequada e à prática de atividade física.

As novas diretrizes passam a integrar a estratégia global do órgão para o enfrentamento da obesidade ao longo de toda a vida, oferecendo recomendações específicas para a infância e adolescência e complementando as orientações já existentes para adultos.